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São Judas Tadeu
Portrait de l’apôtre saint Jude Thaddée dans une peinture de Jusepe de Ribera

Os santos

São Judas Tadeu

6 min de leitura

São Judas Tadeu tornou-se, na piedade católica, o protetor das causas difíceis e das situações que parecem não ter saída. O seu nome evoca imediatamente uma oração de súplica, mas a sua história começa nas listas dos doze apóstolos e numa pergunta dirigida a Jesus durante a Última Ceia. O Novo Testamento fornece poucas informações biográficas sobre ele. Esta discrição deu lugar a numerosas tradições, que é necessário distinguir dos textos bíblicos para compreender o apóstolo, as suas representações e o nascimento da sua devoção.

Época século I
Função Membro do grupo dos Doze
Fontes Mateus 10, Marcos 3, Lucas 6, João 14 e Atos 1
Devoção Intercessão nas causas difíceis
Atributos Medalhão de Cristo, chama, maça ou machado
Festa 28 de outubro com São Simão

Um apóstolo cujo nome muda consoante os Evangelhos

As listas dos Doze não apresentam todas exatamente os mesmos nomes. Mateus e Marcos apresentam um discípulo chamado Tadeu; Lucas e os Atos mencionam Judas, filho de Tiago. A tradição cristã aproximou estas duas designações, reconhecendo nelas o mesmo apóstolo, geralmente chamado Judas Tadeu. A existência de várias personagens chamadas Judas no Novo Testamento exige, contudo, uma leitura atenta.

O nome Judas era comum no mundo judaico do século I. Não se deve, portanto, confundir Judas Tadeu com Judas Iscariotes, o discípulo associado à prisão de Jesus. Esta diferença é explicitamente recordada no Evangelho de João. A popularidade contemporânea do nome Jude tornou a distinção mais clara em algumas línguas, mas os textos antigos conservam grafias muito semelhantes.

A maioria dos pormenores que circulam sobre o parentesco, as viagens ou a morte de Judas provém de tradições posteriores. Os Evangelhos nomeiam-no como apóstolo sem apresentarem uma biografia contínua da sua vida.

A pergunta de Judas durante a Última Ceia

João 14, 22 relata a pergunta feita por «Judas, não o Iscariotes». O discípulo pergunta a Jesus por que razão se manifestará aos seus, e não ao mundo. A resposta de Jesus fala do amor, da fidelidade à sua palavra e da presença do Pai e do Filho junto daquele que o acolhe. Este diálogo constitui a principal passagem evangélica em que Judas intervém diretamente.

A cena é importante para a compreensão cristã da presença do Ressuscitado. Judas pede uma manifestação visível e geral; a resposta desloca a atenção para uma relação que envolve a liberdade e a vida interior. A passagem foi comentada por autores cristãos que procuravam mostrar que a fé não consiste apenas em pedir um sinal espetacular.

Esta pergunta confere a Judas uma identidade espiritual mais precisa do que a de um simples santo a quem se recorre quando uma diligência falha. Ele surge como um discípulo que procura compreender a forma como Jesus revela a sua presença.

A epístola de Judas e os seus ensinamentos

O Novo Testamento contém uma breve carta chamada epístola de Judas. A tradição associou-a ao apóstolo, mas os especialistas discutem a identidade exata do seu autor e a data da sua composição. O texto apresenta-se como escrito por Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago. Esta formulação não permite, por si só, resolver todas as questões de identificação com as personagens dos Evangelhos.

A epístola convida os crentes a permanecerem fiéis ao ensinamento recebido. Adverte contra comportamentos que ameaçam a vida comunitária e cita tradições religiosas conhecidas no judaísmo antigo. A figura de Miguel e a alusão a uma disputa em torno do corpo de Moisés mostram que o autor se move num ambiente onde circulam relatos para além dos livros bíblicos.

A conclusão insiste na misericórdia, na firmeza e na atenção àqueles que duvidam. Ler esta carta permite descobrir uma tradição cristã preocupada com a fidelidade e a coesão da comunidade, longe de uma devoção reduzida à procura de soluções imediatas.

As tradições missionárias e o martírio

Os relatos posteriores colocaram Judas em diferentes territórios de evangelização, nomeadamente no Oriente. É associado à Arménia, à Mesopotâmia ou à Pérsia, consoante as tradições e os textos consultados. Os pormenores das deslocações e do seu martírio variam e não são estabelecidos pelos livros do Novo Testamento.

A sua festa comum com São Simão, a 28 de outubro, reúne dois apóstolos cujas informações biográficas permanecem limitadas. As lendas da sua pregação mantiveram esta associação na memória cristã. Não devem ser lidas como um itinerário geográfico certificado: o seu interesse reside na história da difusão do culto e na forma como as comunidades honraram os Doze.

Os instrumentos atribuídos ao seu martírio, como a maça ou o machado, tornaram-se sinais iconográficos. A sua variedade recorda que os relatos da sua morte seguiram diferentes vias de transmissão.

Por que razão Judas se tornou o santo das causas desesperadas

A invocação de São Judas em situações difíceis desenvolveu-se ao longo da história da piedade católica. A sua notoriedade cresceu consideravelmente no século XX, nomeadamente através do santuário fundado em Chicago em 1929 pelos missionários claretianos. Esta devoção acompanhou pessoas confrontadas com doenças, desemprego ou problemas familiares.

O patrocínio do impossível não corresponde a uma função descrita por Jesus no Evangelho. Expressa a confiança dos fiéis que pedem a intercessão de um apóstolo quando os recursos pessoais parecem insuficientes. Seria contrário ao sentido cristão desta prática transformá-la numa promessa de resultado ou numa razão para abandonar as ações necessárias.

Numa oração dirigida a São Judas, o pedido de ajuda insere-se na comunhão dos santos. A esperança torna-se uma forma de perseverar, sem retirar à pessoa a responsabilidade de procurar soluções concretas.

O medalhão de Cristo, a chama e a sua festa

As imagens de Judas Tadeu mostram-no a segurar um medalhão ou uma imagem do rosto de Cristo, associado a antigas tradições de transmissão de um retrato sagrado. Pode também ser representado com uma chama sobre a cabeça, sinal do Pentecostes, ou com um instrumento atribuído ao seu martírio. Estes elementos permitem distinguir Judas dos outros apóstolos.

A festa de São Judas celebra-se a 28 de outubro com São Simão. Faz parte da memória do grupo dos Doze, e a oração que lhe é dirigida conserva esta referência apostólica. Os seus patrocínios populares ganham sentido quando se regressa ao seu breve diálogo com Jesus em João 14 e aos ensinamentos da epístola que tem o seu nome.

Para continuar esta leitura, a ficha do apóstolo Tadeu permite situar este discípulo no grupo dos Doze e comparar os nomes transmitidos pelos Evangelhos.

A carta de Judas e a questão do seu autor

Uma carta do Novo Testamento tem o nome de Judas. O seu autor apresenta-se como servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, dirigindo depois aos destinatários uma exortação a permanecerem fiéis ao ensinamento recebido. O texto retoma antigas tradições judaicas e testemunha debates que atravessam as primeiras comunidades. Não especifica expressamente que o seu redator seria Tadeu, membro dos Doze.

Esta distinção é importante para a história do santo. A memória litúrgica do discípulo chamado Judas Tadeu aproximou vários nomes, mas o estudo do texto canónico não permite fundi-los sem discussão. A carta contribui, portanto, para compreender a receção do seu nome, oferecendo simultaneamente um ensinamento próprio sobre a fidelidade, a misericórdia e a vida comunitária.

Fontes e referências

Novo Testamento: João 14, 22–23, a pergunta do discípulo; epístola de Judas; listas dos Doze em Mateus 10 e Lucas 6.

Bento XVI, audiência geral de 11 de outubro de 2006 dedicada a Simão e Judas Tadeu.

História da devoção: documento do Santuário Nacional de São Judas e dos missionários claretianos sobre a difusão do seu culto no século XX.

Ilustração: Jusepe de Ribera, São Judas Tadeu (século XVII), documento do domínio público.

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