Como talvez saiba, por trás da Aeternum está uma pequena empresa sediada na Bretanha (no sul do Finistère, para ser preciso). E é bem conhecido que este território vive ao ritmo das lendas, mitos e práticas mágicas mais ou menos conhecidas (Brocéliande, Merlin, a Fada Viviane, os Alinhamentos e muitos outros). Assim, para dar destaque ao nosso belo território, publicaremos regularmente lendas pouco conhecidas da história bretona. Esta semana, rumo à bela cidade de Vannes.
Nas águas do étang au Duc, em Vannes, habita há séculos uma Marie-Morgane, uma fada das águas da mitologia bretona. Quando o sol de verão acaricia a superfície do lago, ela por vezes emerge das ondas para trançar os seus longos cabelos verdes como algas, sentada numa rocha. A sua beleza atrai olhares, mas cuidado com quem se aproxima demais.
Um dia, um soldado, deslumbrado por esta visão, tentou aproximar-se dela. Enfeitiçado pelos seus traços delicados e olhar fascinante, não viu a armadilha fechar-se sobre ele. A fada das águas envolveu-o com os seus braços diáfanos e arrastou-o para as profundezas do lago, onde nunca mais foi visto.

Se perguntar aos mais velhos o que é esta criatura, eles contarão a sua história. Antigamente, o étang au Duc pertencia a uma princesa de grande beleza. Um poderoso senhor, mestre do étang de Plaisance não muito longe dali, pedia-lhe constantemente em casamento, mas ela rejeitava as suas investidas, preferindo outro amor. Cansada das suas súplicas, lançou-lhe um desafio que acreditava impossível:
— Serei sua quando o étang de Plaisance se misturar às águas do étang do Duc.
Mas o homem, movido pelo seu desejo, mandou cavar um canal que ligasse os dois corpos de água. Um dia, convidou a princesa para uma festa no seu castelo e fez-a subir a um barco. Navegando por este canal que mandara cavar, levou-a até ao étang do Duc e, triunfante, declarou-lhe:
— Cumpri a sua vontade. Agora é a sua vez de cumprir a promessa e tornar-se minha.
Perante o irreversível, o coração da jovem partiu-se. Em vez de se unir a um homem que não amava, preferiu entregar-se às águas que a tinham visto crescer. Sem um grito, inclinou-se para fora do barco e deixou-se cair no lago.
Desde esse dia, diz-se que uma Marie-Morgane de beleza encantadora aparece nas primeiras luzes do dia. Na sua rocha, desembaraça os cabelos trançados com pérolas de água e tece coroas de gladíolos. Quem cruza o seu olhar fica perturbado para sempre, pois sob a sua imortal esplendor ainda ressoa a dor de um amor sacrificado.






























