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Como calcular as horas planetárias na magia?
Comment calculer les heures planétaires en magie ?

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Como calcular as horas planetárias na magia?

5 min de leitura

Na magia, há uma variável que não deve ser negligenciada: o momento certo. Por detrás desta ideia simples esconde-se um sistema de cálculo com mais de dois mil anos, utilizado por astrólogos, magos e ervanários para alinharem as suas ações com o ritmo do céu. Dominado pelos verdadeiros magos, explicamos-lhe aqui como calculá-las por si próprio.

Tenha em atenção que este cálculo é um pouco complexo. A boa notícia é que a nossa loja esotérica lhe oferece um calculador de horas planetárias online, simples e gratuito, clicando aqui.

O que são as horas planetárias?

Desde a Antiguidade, as tradições mágicas dividem o dia em vinte e quatro horas desiguais, cada uma governada por um planeta. Esta divisão assenta em dois pilares: o ciclo do Sol e a chamada ordem caldaica (a classificação tradicional dos sete astros visíveis a olho nu segundo a sua velocidade aparente no céu, do mais lento ao mais rápido). O dia divide-se em duas metades: do nascer ao pôr do Sol (período diurno) e do pôr do Sol ao nascer seguinte (período noturno). Cada uma destas metades divide-se em doze segmentos chamados horas planetárias. Ao contrário das horas civis, a sua duração varia consoante a estação do ano e a localização geográfica.

Os planetas envolvidos são os sete chamados «clássicos», visíveis a olho nu: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio e Lua. Esta ordem fixa chama-se ordem caldaica. Baseia-se na velocidade aparente dos astros vistos da Terra, do mais lento (Saturno) ao mais rápido (Lua).

O planeta que governa a primeira hora após o nascer do Sol dá o seu nome ao dia:

  • Domingo: Sol

  • Segunda-feira: Lua

  • Terça-feira: Marte

  • Quarta-feira: Mercúrio

  • Quinta-feira: Júpiter

  • Sexta-feira: Vénus

  • Sábado: Saturno

Esta organização está atestada em Vettius Valens (século II) e em Firmicus Maternus (século IV), tendo sido descrita com precisão no Renascimento por Heinrich Cornelius Agrippa na sua obra De Occulta Philosophia, livro II, capítulo 34.

Porquê utilizá-las na magia?

Nas práticas mágicas, as horas planetárias permitem reforçar um ritual, uma oração, uma operação ou até uma simples intenção, alinhando-a com a influência simbólica de um planeta. Cada planeta representa um conjunto de qualidades que orientam a acção:

  • Saturno: separação, bloqueio, banimento, velhice, fim, luto, limite, silêncio

  • Júpiter: prosperidade, êxito, autoridade, justiça, crescimento, legitimidade, dignidade

  • Marte: combate, coragem, sexo, raiva, corte, conflito, paixão, vitalidade

  • Sol: poder, clareza, saúde, confiança, honra, brilho, sucesso

  • Vénus: amor, beleza, prazer, harmonia, sensualidade, arte, união, fertilidade

  • Mercúrio: palavra, escrita, comércio, deslocação, astúcia, inteligência, engano

  • Lua: sonho, ciclo, emoção, fertilidade, água, memória, ilusão, imaginação

O objectivo é simples: escolher uma hora em que o planeta dominante apoie plenamente a intenção pretendida. Uma oração de amor torna-se mais poderosa sob Vénus, um trabalho de corte de amarras sob Saturno, um trabalho de comunicação sob Mercúrio. Este princípio de concordância temporal atravessa toda a magia natural ocidental.

Como calculá-los?

O cálculo baseia-se em três horários:

  • T₁: hora do nascer do Sol

  • T₂: hora do pôr do Sol

  • T₃: hora do nascer do Sol do dia seguinte

A partir destes dados, duas fórmulas permitem dividir o tempo:

  • Duração do dia = Hora do pôr do Sol − Hora do nascer do Sol
  • Duração da noite = Hora do nascer do Sol do dia seguinte − Hora do pôr do Sol

Em seguida, cada período é dividido em 12 segmentos iguais:

  • Duração de uma hora planetária diurna = Duração do dia ÷ 12
  • Duração de uma hora planetária nocturna = Duração da noite ÷ 12

Cada hora assim obtida recebe um planeta seguindo a ordem caldaica. Começa-se a primeira hora do dia com o planeta do dia. A segunda hora recebe o planeta seguinte, e assim sucessivamente. Depois de passadas as doze horas diurnas, as horas nocturnas retomam esta sequência sem a reiniciar.

Que fuso horário utilizar?

Para obter horas planetárias precisas, é sempre necessário basear-se na hora legal local do lugar onde se encontra. Isso implica duas coisas: conhecer o seu fuso horário oficial e saber se está na hora padrão ou na hora de verão.

Dito isto, é fácil perder-se entre todas estas medidas. Mas não entre em pânico, nós explicamos:

  • UTC (Tempo Universal Coordenado): é a hora de referência mundial. Nunca muda, não tem inverno nem verão. Todos os fusos horários são expressos como uma diferença em relação a ela (por exemplo: UTC+1, UTC−5). É utilizada em relógios atómicos, na aviação e na astronomia, mas não corresponde a nenhum uso civil quotidiano.

  • GMT (Greenwich Mean Time): corresponde historicamente à hora solar média do meridiano de Greenwich (0° de longitude). É equivalente a UTC, mas serve sobretudo como referência histórica. É utilizado no Reino Unido, principalmente no inverno.

  • CET (Central European Time): fuso utilizado como hora legal padrão (no inverno) em muitos países da Europa Central, incluindo França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Suíça, Polónia, República Checa, Áustria, Croácia, Eslovénia,... → CET = UTC+1

  • CEST (Central European Summer Time): versão de verão do CET, aplicada durante o período da hora de verão. → CEST = UTC+2

Por outras palavras: se estiver em Paris em janeiro, a hora local é CET (UTC+1). Em julho, é CEST (UTC+2). Se viver na Reunião, estará todo o ano em UTC+4, pois a ilha não aplica a hora de verão.

A hora UTC só é útil como referência. Nunca a utilize diretamente para calcular as suas horas planetárias, exceto se viver no meridiano 0 sem hora de verão. O que conta são as horas do nascer e do pôr do Sol no seu fuso horário real, com os ajustes sazonais integrados. É isso que garante um cálculo correto.

Um pequeno exemplo?

Vejamos um exemplo, se estivermos em Paris a 21 de junho de 2025:

  • T₁: 05 h 46 CEST

  • T₂: 21 h 56 CEST

  • T₃: 05 h 47 CEST (22 de junho)

Assim:

  • Duração do dia = 16 h 10 min → 970 minutos, portanto 970 ÷ 12 = 80 minutos e 50 segundos
  • Duração da noite = 7 h 51 min → 471 minutos, portanto 471 ÷ 12 = 39 minutos e 15 segundos

O dia 21 de junho de 2025 é um sábado. Saturno rege, portanto, a primeira hora. Seguem-se Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio, Lua, depois novamente Saturno, e assim sucessivamente. A décima terceira hora, que inicia a noite, retoma a sequência lógica pela mesma ordem.

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