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Como usar bem a intenção na magia?
Comment bien utiliser l'intention en magie ?

Os Cadernos de Aeternum

Como usar bem a intenção na magia?

7 min de leitura

NO ÍNDICE...

 

1. O que é a intenção na magia?
2. A natureza da intenção
3. A intenção, uma energia motriz?
4. A intenção nos trabalhos mágicos
5. As formas da intenção mágica
6. A intenção, toda a intenção e apenas a intenção


Não existem rituais ou trabalhos mágicos sem intenção. É um termo que verá frequentemente e é essencial conhecer bem o seu papel e o seu poder. Ao contrário do que se pensa, não se trata simplesmente de "pensar" naquilo que queremos. A intenção mágica é preparada e é um ingrediente que pode fazer toda a diferença nos resultados. Explicamos tudo.

1. O que é a intenção na magia?

A intenção na magia pode ser definida como o desejo consciente ou inconsciente que orienta a energia e as ações do praticante para um resultado específico. É frequentemente considerada o elemento motor e essencial na execução das práticas mágicas. Ao contrário dos rituais, que são ações cerimoniais, e dos símbolos, que são representações visuais ou materiais, a intenção é o propósito ou objetivo que o praticante procura alcançar. É a própria essência da vontade que dirige a energia mágica, transformando uma simples ação numa experiência no plano físico.

Utilizar corretamente a intenção na magia


A intenção desempenha um papel central, pois determina a direção e a natureza da energia mobilizada nas práticas mágicas. Sem uma intenção clara, os rituais e os feitiços podem carecer de coerência e eficácia. O universo não é sensível à prosa nem ao tempo. Por outras palavras: seja simples e conciso.

2. A natureza da intenção

2.1. Definição filosófica

A intenção, no contexto das práticas mágicas e filosóficas, designa a vontade deliberada de provocar uma mudança ou um resultado específico. O termo "intenção" vem do latim intentio, que significa "tensão", "esforço" ou "orientação para um objetivo". 

Na filosofia, a intenção é frequentemente discutida em relação à ação humana e à moralidade. Os filósofos debateram durante muito tempo a natureza da intenção, a sua formação e o seu papel na determinação das ações. Aristóteles, por exemplo, considerava que a intenção era essencial para diferenciar as ações voluntárias das ações involuntárias. Para ele, uma ação só é verdadeiramente moral se for realizada com uma intenção consciente e ponderada.

2.2. Intenção consciente e inconsciente

A intenção pode ser consciente ou inconsciente. Uma intenção consciente é aquela que é formulada deliberadamente, com uma consciência clara do objetivo pretendido. Por exemplo, quando uma pessoa acende uma vela com a intenção explícita de meditar ou de praticar um ritual de purificação, está a exercer uma intenção consciente. Esta forma de intenção é frequentemente acompanhada de visualização e concentração, reforçando assim o efeito pretendido. Na magia, é portanto a intenção consciente que é trabalhada e expressa.

Por outro lado, uma intenção inconsciente é uma vontade ou um desejo que atua sob a superfície da consciência. Estas intenções podem resultar de padrões mentais, crenças profundas ou desejos não expressos. Por exemplo, uma pessoa pode, inconscientemente, sabotar os seus próprios esforços devido a um medo inconsciente do fracasso ou do sucesso. Na magia, é portanto importante reconhecer esta intenção inconsciente, para a transformar numa intenção consciente ou dissipá-la, evitando que influencie os seus trabalhos.

3. A intenção, uma energia motriz?

Em muitas tradições espirituais e esotéricas, a intenção é vista como uma força motriz que canaliza a energia subtil para manifestar mudanças na realidade física. A energia subtil, frequentemente descrita como uma força invisível ou uma vibração, é considerada o veículo através do qual as intenções se concretizam. Representa aquilo que atua mas não é visível, e ocupa um plano próprio: o plano subtil.

Uma teoria comummente aceite nestas tradições é a de que o universo é constituído por diferentes vibrações ou frequências de energia, e que a intenção humana pode influenciar essas vibrações. Ao formular uma intenção clara e concentrada, uma pessoa pode alinhar o seu próprio campo energético com o objetivo que pretende alcançar. Acredita-se que esta harmonização cria condições propícias para que a energia subtil se materialize no mundo físico.

Por exemplo, na tradição da lei da atração, postula-se que o universo responde às frequências vibratórias dos nossos pensamentos e emoções. Assim, ao manter intenções positivas e visualizar o sucesso, uma pessoa pode atrair circunstâncias e resultados positivos para a sua vida. Isto ilustra a ideia de que a intenção, enquanto forma de pensamento focado, pode dirigir a energia subtil para provocar mudanças tangíveis.

Além disso, um dos princípios fundamentais da magia é que o positivo atrai o positivo e o negativo atrai o negativo.

4. A intenção nos trabalhos mágicos

Na magia, a intenção é frequentemente considerada o catalisador que desencadeia o processo de manifestação. Orienta a energia subtil, canalizada pelo praticante, para um resultado preciso. 

A eficácia dos feitiços depende em grande medida da clareza e da força da intenção. Um feitiço lançado com uma intenção vaga ou incerta corre o risco de produzir resultados incoerentes ou ineficazes. Em contrapartida, uma intenção clara e precisa permite concentrar a energia de forma ideal, aumentando assim as probabilidades de sucesso.

O método mais eficaz e difundido consiste em trabalhar especificamente a sua intenção. É necessário definir o objetivo final e assumi-lo como se já estivesse concretizado.

Um exemplo? O seu objetivo é melhorar a sua situação financeira. Evite formulações do tipo "gostaria de ganhar mais dinheiro", pois são demasiado vagas. E esse não é o seu objetivo final: por que razão quer ganhar mais dinheiro? Cabe-lhe encontrar a verdadeira intenção, a essência da sua intenção que se esconde nos seus desejos: "consigo pagar este crédito", "realizo esta atividade com a minha família", "obtive esta promoção no trabalho",... 

Tenha também atenção à intenção emocional (descrita no ponto seguinte). O plano subtil reage às energias consideradas positivas (amizade, amor, empatia, alegria,...) mas tende a interpretar mal as energias negativas (ira, ódio, vingança), podendo assim criar vibrações muito diferentes da sua intenção. Neste último caso, recomendo que, em primeiro lugar, evite qualquer trabalho num estado de espírito nefasto (seja ele justificado ou não) e, em segundo lugar, consulte o meu artigo sobre o choque de retorno.

5. As formas da intenção mágica

Consoante as suas preferências ou até a tradição, a intenção pode assumir várias formas:

A intenção verbal A intenção verbal é expressa através de palavras, frequentemente durante a formulação de orações, encantamentos ou mantras. As palavras escolhidas são importantes, pois transmitem diretamente o desejo e o objetivo do praticante. 
A intenção mental A intenção mental manifesta-se através da visualização e da concentração mental. O praticante imagina mentalmente o resultado desejado, criando uma imagem viva daquilo que pretende manifestar. Esta forma de intenção é comum nas práticas de meditação e visualização criativa, nas quais a mente é utilizada como uma ferramenta para moldar a realidade.
A intenção emocional As emoções podem ser uma forma de intenção. Uma intenção emocional é alimentada pelos sentimentos e desejos do praticante. No entanto, atenção: uma emoção intencional deve ser positiva, sem intenção de prejudicar e controlável.
A intenção física A intenção também pode ser incorporada fisicamente através de gestos ou ações específicas. Isto inclui gestos rituais, posições do corpo (como no ioga ou no tai chi), ou até ações simbólicas, como acender uma vela, desenhar um símbolo ou escrever uma palavra. Estas ações físicas são preferidas pelos principiantes, pois permitem ancorar mais facilmente a vontade no plano físico.
A intenção simbólica Os objetos simbólicos, como talismãs, amuletos ou altares, podem ser carregados de intenção. Estes objetos servem como focos para a energia e a intenção do praticante, e a sua utilização é frequentemente acompanhada por um ritual específico.
A intenção coletiva Por vezes, a intenção é partilhada por um grupo de pessoas, o que pode acontecer durante rituais coletivos ou meditações de grupo. A intenção coletiva tem o potencial de reunir a energia de várias pessoas para um objetivo comum, amplificando assim o efeito pretendido. Mais uma vez, é necessário ter atenção às emoções de cada pessoa.
A intenção inconsciente Existem também intenções inconscientes, que nem sempre são reconhecidas pela pessoa, mas que, ainda assim, influenciam as suas ações e os resultados.


6. A intenção, toda a intenção e apenas a intenção

Formular uma intenção já é um trabalho essencial para o sucesso de um ritual. Mas é também uma ferramenta que merece toda a sua concentração. Durante o ritual, deve assim eliminar qualquer interferência mental, pois uma simples divagação pode comprometer o resultado. É também por isso que um trabalho mágico é cansativo ou até extenuante, consoante a sua natureza: merece toda a sua energia e concentração, sem a menor falha. É uma condição exigente, mas ainda assim necessária. 

A sua intenção está ancorada em si e deve orientar a totalidade dos seus atos, das suas palavras e da sua atitude, para fazer vibrar a energia subtil da forma desejada e depois colher os seus efeitos. 

Espero que agora o papel da intenção esteja mais claro para si. Já sabe, portanto, o que lhe resta fazer!

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