O Antimónio ocupa um lugar singular na alquimia: metal oculto na Estibina negra, foi representado pelo lobo e depois revelado sob uma forma prateada capaz de desenhar uma estrela. Poucas matérias reúnem com tanta força o instinto, a separação e a transformação.
O nome comercial pode designar o Antimónio nativo ou, por extensão, o seu principal minério, a Estibina. A história material de ambos é diferente, mas o imaginário alquímico liga-os: o minério é trabalhado para dele se extrair o régulo metálico. O rito atual manterá este processo no plano simbólico, sem aquecimento nem trituração.
Para situar esta pedra entre minerais relacionados, compare-a com Estibina, Boulangérite e Orpimento.
O metal e o seu minério negro
O Antimónio nativo é o elemento Sb, cinzento-prateado e quebradiço. A Estibina, Sb2S3, forma cristais cinzentos a negros e constitui o seu principal minério. O U.S. Geological Survey recorda esta relação entre o elemento e o minério.
Uma ficha ou uma etiqueta deve especificar a matéria. O Antimónio nativo, a Estibina e um régulo obtido pela arte humana não são intercambiáveis. Para o grimório, formam os três tempos de uma mesma imagem: aquilo que está oculto, aquilo que é separado e aquilo que ganha forma.
Do stibium antigo à Estibina
O latim stibium designava uma matéria negra utilizada em preparações para os olhos. O símbolo químico Sb conserva a memória desse nome. O uso antigo dizia respeito ao sulfureto, não ao metal puro tal como a química o define atualmente.
A Royal Society of Chemistry reconstitui esta passagem do cosmético e do remédio antigo para a identificação do elemento. Na linguagem simbólica, o negro junto ao olho pode representar aquilo que torna visível através do contraste, desde que se mantenha a matéria de coleção afastada do rosto.
O lobo dos alquimistas
Na emblemática alquímica, o Antimónio foi associado ao lobo. A Royal Society of Chemistry relaciona este metal com a natureza animal ou com o espírito selvagem do ser humano e da natureza.
O lobo não é apenas violência: representa o apetite que devora, o instinto que segue o seu rasto e a força que é preciso conduzir. Trabalhar com o Antimónio equivale a perguntar qual o impulso que deve ser alimentado, qual deve ser contido e que matéria bruta ainda esconde uma aptidão.
O lobo guarda a força; a estrela dá-lhe uma orientação. O Antimónio não pede que se sufoque o instinto, mas que este seja submetido a uma operação de triagem, para que o impulso sirva uma obra em vez de uma compulsão.
O régulo estrelado
No século XVII, George Starkey e Isaac Newton trabalharam no régulo de Antimónio. Ao arrefecer em determinadas condições, o metal podia apresentar à superfície uma estrutura radiante chamada régulo estrelado.
A biblioteca de Princeton apresenta uma reconstituição e os manuscritos associados a esta operação. A estrela não era um motivo pintado: surgia no termo de um trabalho de separação e cristalização. Para o rito, torna-se o sinal de que uma matéria conduzida revela a sua ordem.
Instinto, triagem e transformação
O Antimónio é adequado aos períodos em que uma força bruta procura uma forma: ira a converter em defesa, desejo a transformar em criação, ambição a submeter a uma regra. Escreva primeiro o impulso sem o embelezar e, depois, a obra que ele poderia servir.
Para uma triagem, desenhe três recipientes: minério, escória, régulo. Coloque no primeiro aquilo que está misturado; no segundo, aquilo que deve ser afastado; no terceiro, aquilo que pretende preservar. A separação deve produzir uma decisão real.
Os elementos são a Terra para o minério e o Fogo para a operação alquímica. O preto, o prateado e o vermelho-escuro acompanham a passagem do oculto para a forma. O emblema do lobo é adequado ao início; o da estrela, ao resultado orientado.
O rito do lobo e da estrela
Deixe o espécime na sua caixa. Desenhe um lobo à esquerda e uma estrela à direita. Entre os dois, trace três círculos com os nomes «reconhecer», «separar» e «orientar».
Escreva uma frase em cada círculo e depois diga: «Reconheço a força, retiro aquilo que a devora, dou-lhe uma obra.» Dobre a folha em direção à estrela e realize a ação do último círculo. Não é necessária qualquer operação material.
Correspondências e referências
| Referência | Correspondência |
|---|---|
| Antimónio nativo | Elemento Sb, cinzento-prateado e quebradiço |
| Estibina | Sulfureto Sb2S3, principal minério |
| Emblema alquímico | Lobo, natureza instintiva e força a conduzir |
| Figura operativa | Régulo estrelado, ordem revelada pela separação |
| Elementos | Terra e Fogo |
| Cores | Preto, prateado e vermelho-escuro |
| Áreas | Instinto, triagem, transformação, disciplina e orientação |
| Gesto ritual | Conduzir o lobo até à estrela no papel |










































