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Verbena
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Grimório botânico

Verbena

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A Verbena oficinal não impressiona nem pelo tamanho nem pelo brilho das suas flores. Na Antiguidade, esta planta discreta fazia, contudo, parte da linguagem do altar, da embaixada e do tratado: os espaços sagrados eram limpos com os seus ramos, e os arautos romanos transportavam-na quando vinham propor a paz ou declarar guerra.

Esta posição explica o seu poder mágico. A Verbena não serve apenas para «purificar» em sentido lato: prepara um lugar antes do rito, acompanha a palavra que compromete uma cidade e assinala a passagem da hostilidade à reconciliação. As práticas de São João e os encantamentos cristãos conservaram depois o seu carácter sagrado.

As fontes astrológicas atribuem-na a Vénus, não a Mercúrio. Esta atribuição relaciona-se com a coroa de Venus Victrix, os acordos procurados pelos arautos e os usos amorosos da Idade Média. A sua magia liga a limpeza ritual, a autoridade da palavra e a pacificação.

A Verbena oficinal dos caminhos

Verbena officinalis L. pertence à família das Verbenaceae. Esta planta vivaz apresenta caules finos e quadrangulares, folhas opostas e recortadas, e longas espigas onde se abrem minúsculas flores lilás-pálidas. Cresce em lugares abertos, à beira dos caminhos, em terrenos revolvidos e perto das habitações.

Kew atribui à espécie uma área nativa que se estende da Europa e do Norte de África até à Ásia temperada e tropical. O nome «verbena» abrange, contudo, muitas plantas hortícolas ou aromáticas. A Lúcia-lima, Aloysia citrodora, pertence a outro género e não transporta a história ritual de Verbena officinalis. Kew, Verbena officinalis.

A sobriedade da planta esclarece os seus usos. Um ramo fino pode varrer uma mesa, aspergir um lugar ou formar uma coroa sem ocupar o centro do rito. A Verbena trabalha o enquadramento em que a palavra e a oferenda produzirão efeito.

Altares gregos e templos romanos

Os autores gregos e romanos incluem a Verbena entre as plantas sagradas. Os Gregos terão limpado com ela a mesa consagrada a Zeus antes das grandes cerimónias. Em Roma, os seus ramos serviam para varrer os templos, purificar os altares e espalhar a água lustral. Virgílio coloca-a em redor do altar numa cena de encantamento.

Richard Folkard reúne estes testemunhos e recorda vários nomes de culto: erva sagrada, lágrimas de Ísis, lágrimas de Juno, sangue de Mercúrio. Estas designações não formam um sistema homogéneo; mostram a longa circulação da planta entre cultos, medicina e magia. Richard Folkard, Plant Lore, Legends, and Lyrics, «Vervain».

A limpeza realizada pela Verbena tem uma finalidade ritual. Remove os vestígios da actividade quotidiana para tornar o altar disponível. Na casa, o ramo colocado à entrada prolonga esta função: o espaço atravessado recebe uma qualidade distinta.

A coroa dos arautos

Os arautos e embaixadores romanos usavam coroas de Verbena quando transmitiam condições de paz ou anunciavam a guerra. A planta acompanhava, portanto, uma palavra oficial cujas consequências comprometiam a comunidade. Protegia o mensageiro e assinalava que a sua voz já não lhe pertencia inteiramente.

Este enquadramento confere à Verbena um domínio mágico preciso: negociação, juramento, reconciliação, declaração e encerramento de um conflito. Não suaviza todas as interacções. Torna a palavra solene, traça o limite entre a discussão privada e o compromisso público e obriga depois cada pessoa a ouvir o que é formulado.

A planta que precede a palavra. A Verbena prepara o altar antes da oferenda e acompanha o arauto antes da declaração. O seu poder reside nesse instante em que o lugar e a voz mudam de estatuto.

A coroa de Venus Victrix, que mistura murta e Verbena, reforça a ligação venusiana. Trata-se de uma Vénus vitoriosa, capaz de unir atracção e poder político. Culpeper confirma este governo ao abrir o seu artigo com a fórmula «erva de Vénus». Nicholas Culpeper, The Complete Herbal, «Vervain». A reconciliação proporcionada pela planta não é, portanto, branda nem passiva.

Encantamentos medievais e São João

Na Idade Média, a Verbena mantém o nome de erva sagrada e entra em encantamentos, amuletos e poções de amor. Junta-se também às plantas de São João. Em Madrid, a população ia procurá-la nos campos à meia-noite; noutros lugares, usavam-se grinaldas durante as fogueiras e as danças da véspera do santo.

Um texto inglês de 1624 apresenta uma fórmula cristã de colheita. A mão traça primeiro uma cruz sobre a planta, depois a bênção evoca o Calvário e o sangue de Cristo antes de arrancar a Verbena do solo. Esta oração inscreve a colheita numa história sagrada e pede autorização antes da recolha.

Os textos atribuídos aos Druidas por Plínio descrevem igualmente uma colheita realizada quando o Sol e a Lua estão ocultos, com uma oferenda de mel à terra. Estes relatos foram ampliados pelos compiladores. O seu motivo mais sólido continua a ser a compensação: colher uma planta ritual cria uma dívida para com o local.

Preparar um local e uma palavra com a verbena

Antes de um juramento, de uma conversa difícil ou da assinatura de um acordo, passe um ramo seco por cima da mesa, sem tocar nas pessoas nem nos alimentos. Coloque-o depois entre as duas partes do texto. O gesto retoma a função de preparação e mediação dos altares e dos arautos.

Para consagrar um espaço, utilize a verbena como uma pequena vassoura simbólica, do centro para as margens, e coloque-a depois à entrada. Não é necessário qualquer líquido. Diga em voz alta a finalidade do local: estudo, oração, leitura, memória ou acolhimento. A palavra conclui o que o ramo começou.

Se for colhida uma planta cultivada, deposite um pouco de água junto ao pé e retire apenas um caule. Esta restituição sóbria retoma o princípio da oferenda à terra. A verbena seca será depois conservada com o consentimento ou devolvida ao composto, se não tiver recebido qualquer produto.

Correspondências históricas

Referência Correspondência
Nome botânico Verbena officinalis L.
Planeta Vénus, segundo Culpeper e os astrólogos citados por Folkard
Locais rituais Altar, templo, casa, mesa de negociação, limiar
Figuras Arauto, embaixador, oficiante, Venus Victrix
Momento Preparação de um rito; véspera de São João; momento de um acordo ou de uma declaração
Domínios mágicos Purificação ritual, palavra empenhada, paz, aliança, amor colocado sob Vénus
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