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Rosa
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Grimório botânico

Rosa

5 min de leitura

A Rosa abre várias câmaras à medida que as suas pétalas se desdobram. Nas Metamorfoses de Apuleio, Lúcio, transformado em burro após uma experiência mágica, recupera o corpo humano ao comer a coroa de rosas usada por um sacerdote de Ísis. No século XVII, Culpeper distribuiu as rosas vermelhas, de Damasco e brancas entre Júpiter, Vénus e a Lua. A flor torna-se assim passagem, cor e iniciação: devolve uma forma e depois obriga a viver de outra maneira.

A palavra «Rosa» abrange o género Rosa e milhares de cultivares. Rosa gallica L., a Rosa de França ou Rosa dos boticários, serve aqui de referência histórica europeia. Um saco de pétalas não permite atribuir uma espécie sem uma etiqueta precisa.

A magia da Rosa não se reduz ao amor. Apuleio coloca-a no momento em que termina a curiosidade perigosa de Lúcio e começa o seu serviço religioso. A beleza do fruto floral traz então uma transformação moral e social.

Uma família de flores e acúleos

As Rosas pertencem às Rosaceae. Os seus caules têm acúleos, estruturas provenientes da epiderme, e não verdadeiros espinhos lenhosos. A flor silvestre possui cinco pétalas. O cultivo multiplicou as pétalas, as cores, os perfumes e as formas.

Rosa gallica cresce espontaneamente desde o Mediterrâneo até à Europa central e oriental, chegando ao Cáucaso. A Kew menciona o nome Rosa dos boticários. Kew, Rosa gallica.

Depois da floração, várias espécies formam um cinorródio que contém os verdadeiros frutos secos. A flor e o fruto dão dois tempos: a abertura oferecida aos polinizadores e depois o fecho em torno das sementes.

Esta alternância sustenta uma magia de limiar. A Rosa sabe tornar visível um centro e depois protegê-lo. Os seus acúleos recordam que o acesso à flor passa por um caule armado.

Lúcio libertado pela coroa de rosas

No romance latino de Apuleio, escrito no século II, Lúcio procura ver a magia e tenta uma metamorfose. Um erro transforma-o num burro. Atravessa então uma longa sucessão de provações sob uma forma animal.

No livro 11, Ísis aparece-lhe e anuncia que um sacerdote usará uma coroa de rosas durante a sua procissão. Lúcio terá de a comer. No dia seguinte, o sacerdote apresenta as flores e o corpo do burro volta a ser humano. Apuleio, Metamorfoses, livro 11.

A Rosa não devolve Lúcio à sua vida anterior. A salvação compromete-o com Ísis e, depois, conduz-lo à iniciação. A restauração do corpo abre uma nova pertença.

A Rosa restitui a forma e exige uma continuação. A libertação de Lúcio torna-se o limiar de um serviço, não o encerramento do relato.

As cores planetárias de Culpeper

Culpeper troça do tumulto provocado pelos autores em torno das Rosas e, em seguida, propõe a sua própria distribuição: as vermelhas sob Júpiter, as Rosas de Damasco sob Vénus e as brancas sob a Lua.

Esta tabela do século XVII distingue as rosas pela cor e pelo tipo hortícola. Proíbe atribuir um único planeta a todas as Rosas. Nicholas Culpeper, entrada «Rosas».

A Rosa vermelha recebe a expansão de Júpiter, a de Damasco o agrado de Vénus e a branca o frescor lunar. Culpeper associa estas qualidades às preparações medicinais da sua época: conservas, águas, óleos, vinagres e xaropes.

Uma correspondência mágica atual deve, portanto, identificar a Rosa utilizada e a fonte seguida. A cor observada pode organizar um trabalho, mas não transforma uma pétala desconhecida em matéria astrológica certa.

Desejo, forma e iniciação

A Rosa de Apuleio encontra-se entre o desejo e a disciplina. Lúcio entra na história movido por uma curiosidade ávida pela magia. Recupera a sua humanidade graças a uma procissão ordenada, a um sacerdote avisado e a uma flor recebida no momento certo.

A passagem exige, portanto, mais do que um desejo. É preciso reconhecer a forma que se tornou inabitável, aproximar-se do cortejo sem o perturbar, receber a ajuda e aceitar a responsabilidade que se segue.

As pétalas em torno do centro oferecem um esquema de preparação. Cada camada pode conter uma condição: segurança, consentimento, recurso, testemunha e compromisso. O centro permanece a transformação solicitada.

Os espinhos definem o limite da abordagem. Uma iniciação digna desse nome possui limiares, transmissão e obrigações. A Rosa impede que se confunda acesso imediato com realização.

Desenhar uma rosa de passagem

Desenhe um círculo central e cinco coroas de pétalas à sua volta. No centro, escreva a forma de vida que pretende recuperar ou construir.

Dê às cinco coroas os nomes «segurança», «consentimento», «recurso», «testemunha» e «compromisso». Escreva em cada camada uma condição verificável.

Coloque o produto fechado à esquerda do desenho. Em seguida, trace um caule para baixo e acrescente dois espinhos. O primeiro indica o que bloqueia o acesso; o segundo, o que protege o processo.

Leia as coroas do exterior para o centro. Se faltar uma condição, interrompa o trabalho nessa camada. Quando as cinco estiverem preenchidas, escolha o ato que inicia a transformação e registe a data.

Correspondências históricas

Referência Correspondência
Referência botânica Rosa spp., com Rosa gallica como exemplo histórico
Família Rosaceae
Narrativa central Metamorfose de Lúcio pelas rosas de Ísis, século II
Correspondências segundo Culpeper Vermelha: Júpiter ; Damasco: Vénus ; branca: Lua
Domínios mágicos Passagem, restauração, desejo, limite e iniciação
Forma segura Desenho das cinco coroas e produto fechado
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