A Nogueira de Benevento tornou-se, a partir de relatos judiciais e demonológicos, o centro imaginário de assembleias nocturnas de bruxas. A árvore real mistura-se assim com uma geografia de medo, acusação e identidade local. Mais atrás, na Antiguidade grega, Cária é transformada numa Nogueira e recebe um santuário de Ártemis Caryatis. O mistério da Nogueira não provém, portanto, apenas do seu fruto: reside na árvore escolhida como lugar de metamorfose, reunião e memória disputada.
A Nogueira-comum é Juglans regia L., uma grande árvore caducifólia da família Juglandaceae. A sua casca fica fissurada com a idade. As folhas compostas libertam um odor característico quando são friccionadas, e os frutos amadurecem dentro de um invólucro verde.
Esta ficha aborda a árvore, o seu território e as narrativas associadas à sua sombra. A Noz, enquanto fruto nupcial e de reserva, possui uma ficha distinta. Aqui, a magia diz respeito à assembleia, à metamorfose, ao testemunho e ao discernimento perante narrativas de perseguição.
Uma grande árvore de folhas compostas
Juglans regia pode formar uma copa ampla. As suas folhas imparipinadas reúnem vários folíolos, sendo o terminal o maior. As flores masculinas pendem em amentilhos e as flores femininas encontram-se na extremidade dos rebentos jovens.
Kew aceita a espécie e situa a sua área nativa desde Xinjiang até ao oeste dos Himalaias. Kew, Juglans regia.
A árvore cultivada pode viver muito tempo, desenvolver um tronco largo e produzir uma sombra densa. A sua presença organiza o lugar muito para além da colheita das nozes.
Esta escala fundamenta uma magia territorial. A Nogueira torna-se ponto de encontro, marco, testemunha de gerações e centro em torno do qual uma história se pode fixar.
Cária transformada em Nogueira
O comentário de Sérvio sobre Virgílio transmite a história de Cária, amada por Dionísio. Após a sua morte, o deus transforma-a numa Nogueira, e Ártemis relata o acontecimento aos habitantes da Lacónia.
É erguido um santuário a Ártemis Caryatis, nome ligado ao lugar e à Nogueira. Servius, comentário às Bucólicas de Virgílio, 8.29.
A metamorfose não transforma todas as Nogueiras em relíquias. Dá ao nome Carya uma sobrevivência vegetal e cultual, ligada a um território.
O mistério reside nesta identidade deslocada. Uma pessoa transforma-se em árvore, e depois a árvore torna-se o nome de um santuário e um ponto de memória coletiva.
A metamorfose transforma a Nogueira num corpo de memória inserido na paisagem.
A Nogueira de Benevento e o sabat
Em Benevento, na Itália, uma Nogueira foi colocada no centro de narrativas sobre práticas pagãs, assembleias noturnas e bruxaria. As versões desenvolveram-se entre crónicas, processos e literatura demonológica.
Um estudo histórico recente acompanha a formação desta reputação e as suas ligações à identidade da cidade. Estudo histórico sobre Benevento, as bruxas e a Nogueira.
Paolo Grillandi, jurista do século XVI, contribui para fixar a Nogueira como local de sabat na linguagem dos processos judiciais. A narrativa ostenta, portanto, a marca de instituições que interrogavam, julgavam e puniam.
A magia histórica da Nogueira de Benevento não deve apagar esta violência. A árvore é um centro narrativo, enquanto as acusações revelam o medo social e o poder exercido sobre as pessoas visadas.
O mistério da assembleia sob a árvore
Uma árvore de grande porte oferece um centro visível e uma periferia onde as vozes se posicionam. A sua copa reúne sem confinar, e o seu tronco fornece uma referência comum àqueles que chegam de direções diferentes.
A narrativa do sabat transforma esta possibilidade comum numa cena proibida. Mostra como um local de reunião pode tornar-se suspeito quando a autoridade não controla nem as pessoas nem as suas palavras.
A Nogueira é adequada a uma magia de assembleia que mantém um registo dos presentes, distingue a narrativa da acusação e protege o direito de cada pessoa a abandonar o círculo.
A sua metamorfose grega acrescenta a memória do nome. Qualquer reunião sob o signo da Nogueira começa por nomear os ausentes e as pessoas cuja palavra foi distorcida.
Estabelecer o círculo dos testemunhos
Desenhe uma Nogueira vista de cima. O tronco forma o centro e oito ramos dividem a copa em oito lugares.
Em cada lugar, inscreva uma fonte, uma testemunha ou uma versão. Acrescente a data, o autor e a posição da pessoa na narrativa.
Trace um círculo exterior com três perguntas: quem acusa, quem beneficia da narrativa e quem não pode responder? Deixe uma abertura para quaisquer informações futuras.
Na base do desenho, escreva a decisão que pode ser tomada agora e aquela que deve esperar. O material vegetal permanece no seu saco fechado, à esquerda do registo.
Correspondências históricas
| Referência | Correspondência |
|---|---|
| Nome botânico | Juglans regia L. |
| Família | Juglandaceae |
| Narrativa grega | Metamorfose de Cária e Ártemis Caryatis |
| Narrativa italiana | A Nogueira de Benevento e a literatura do sabat |
| Domínios mágicos | Assembleia, memória, testemunho e discernimento |
| Forma segura | Coroa desenhada como um círculo de fontes |









































