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Madressilva
Chèvrefeuille

Grimório botânico

Madressilva

5 min de leitura

A madressilva trepa enrolando-se à volta do seu suporte. No século XII, Marie de France escolheu este abraço vegetal para expressar o amor de Tristão e Isolda: separados, a aveleira e a liana definham. Mais tarde, Culpeper coloca a madressilva sob Mercúrio, em Caranguejo. A planta torna-se vínculo, mensagem oculta e memória de um encontro.

A ficha toma Lonicera caprifolium L., a madressilva-dos-jardins, como referência. O nome comercial «madressilva» pode designar numerosas Lonicera, com bagas e perfis toxicológicos diferentes.

A sua história mágica mais bem estabelecida provém de uma obra literária medieval, o lai da Madressilva. Não se trata de um grimório, mas de um texto que faz da planta uma imagem operante da união. O gesto actual trabalha o vínculo consentido e a palavra dirigida.

Uma liana entre as Lonicera

Lonicera caprifolium pertence às Caprifoliaceae. Os seus caules volúveis enrolam-se à volta dos arbustos e dos suportes. As folhas superiores fundem-se à volta do caule, enquanto as flores tubulares, primeiro cremes e depois rosadas, libertam um perfume intenso.

A Kew situa a espécie no centro e no sudeste da Europa, até ao Cáucaso. Kew, Lonicera caprifolium.

O género inclui também a madressilva-das-sebes, Lonicera periclymenum, a madressilva-do-Japão, Lonicera japonica, e arbustos com bagas vermelhas, pretas ou azuis. Uma flor seca nem sempre permite identificar a espécie.

A liana não possui gavinhas: o caule inteiro enrola-se à volta do suporte. Esta forma de crescer oferece uma imagem exacta de uma relação: avançar requer apoio, mas o enrolamento também pode apertar.

Marie de France e o lai da Madressilva

Na segunda metade do século XII, Marie de France compõe o lai Chevrefoil. Tristão, banido da corte do rei Marcos, corta um ramo de aveleira e grava nele um sinal destinado a Isolda. A rainha reconhece a mensagem e junta-se ao seu amante na floresta.

O texto compara os amantes à madressilva enlaçada na aveleira. Enquanto permanecem unidos, ambos vivem; separados, definham. Marie de France, The Lay of the Honeysuckle, tradução de 1911.

A planta não serve de ingrediente. É uma estrutura poética que torna visível a união. O ramo gravado transporta a mensagem, a madressilva fornece a comparação e a floresta protege o encontro.

O mistério reside em dois vegetais, não num só. A trepadeira e a aveleira formam juntas a imagem do amor que não vive separado.

O abraço, o apoio e o risco

O lai torna a união absoluta, mas a botânica acrescenta uma nuance. Uma trepadeira recebe apoio, sobe em direção à luz e pode exercer pressão sobre o ramo que a sustenta. Esta observação permite trabalhar o vínculo sem celebrar a dependência cega.

A magia amorosa inspirada pelo texto ganha em colocar três perguntas: quem apoia, quem se enlaça e como conserva cada um o seu crescimento? O amor de Tristão e Isolda pertence a uma história de desejo, banimento e morte, não a uma receita de felicidade doméstica.

A madressilva é, portanto, adequada a compromissos recíprocos, reencontros e mensagens reconhecidas por uma pessoa específica. Não justifica domínio, vigilância ou coação sobre o desejo alheio.

Mercúrio em Caranguejo segundo Culpeper

Culpeper descreve o Woodbine, outro nome inglês do madressilva, e coloca-o sob Mercúrio no signo de Caranguejo. Nicholas Culpeper, The English Physitian.

Mercúrio traz a mensagem, a deslocação e a escrita oculta. Caranguejo acrescenta o lar, a memória e a proteção. Este mapa astrológico corresponde com precisão ao ramo gravado por Tristão e ao encontro na floresta.

Os usos pulmonares descritos por Culpeper pertencem à medicina do século XVII e não devem ser reproduzidos. A sua presença recorda que o mesmo herbário combina descrição botânica, remédio e governo planetário.

Duas fontes distintas respondem, portanto, uma à outra sem se confundirem: Marie de France fornece a imagem da ligação, e Culpeper apresenta uma correspondência astrológica posterior.

Escrever uma ligação a duas vozes

Desenhe duas linhas verticais separadas. Escreva na primeira aquilo que traz para uma ligação e, na segunda, aquilo que a outra pessoa traz com o seu consentimento.

Ligue as linhas com três laços. Em cada laço, escreva uma regra comum: perguntar, responder, dar tempo. Se a outra pessoa não participar, mantenha a segunda linha em branco.

Dobre a folha à volta de um galhinho desenhado, sem utilizar uma planta real. O trabalho retoma a mensagem de Tristão e o entrelaçamento do lai, deixando simultaneamente um espaço visível para cada pessoa. Nenhuma flor, baga ou folha é ingerida.

Correspondências históricas

Referência Correspondência
Referência botânica Lonicera caprifolium L.
Género Lonicera, várias espécies
Fonte literária Chevrefoil, de Marie de France, século XII
Fonte astrológica Mercúrio em Caranguejo segundo Culpeper
Domínios mágicos Ligação, mensagem, encontro e reciprocidade
Forma segura Duas linhas escritas e uma planta desenhada
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