O tarot possui uma história que mistura mistério, arte e espiritualidade. A sua origem precisa permanece incerta, mas acredita-se que tenha surgido na Europa no século XV, provavelmente em Itália, sob a forma de cartas de jogo chamadas tarocchi. É neste contexto que o Tarot de Marselha encontra o seu lugar. Embora o nome sugira uma origem francesa, os primeiros exemplos destas cartas poderão ter surgido em Itália antes de ganharem popularidade e se espalharem pela França.
Inicialmente, estas cartas eram usadas para jogos de salão entre a aristocracia europeia. Eram ricamente decoradas, frequentemente pintadas à mão com ícones elaborados. Estes primeiros baralhos de tarot incluíam 78 cartas, divididas em dois grupos: os arcanos menores, semelhantes às cartas de jogar modernas, e os arcanos maiores, que são únicos no tarot e contêm símbolos e figuras arquetípicas.
No século XVIII, o tarot começou a ser associado à mística e ao ocultismo. Foi especialmente graças a figuras como Antoine Court de Gébelin e Jean-Baptiste Alliette, conhecido como Etteilla, que o tarot foi reconhecido como uma ferramenta de adivinhação. De Gébelin, na sua obra Le Monde Primitif, interpretou as imagens do tarot como símbolos misteriosos do conhecimento egípcio antigo. Esta visão abriu caminho para uma nova utilização das cartas, transformando-as de um simples passatempo numa ferramenta para a adivinhação e meditação espiritual.
No século XIX, sociedades ocultas como a Ordem Hermética da Aurora Dourada integraram o tarot nas suas práticas, enriquecendo o seu simbolismo e interpretações. Estes grupos atribuíram novos significados às cartas, ligando-as à cabala, à astrologia, aos elementos e a outros sistemas esotéricos.
O tarot conheceu uma nova vaga de popularidade no século XX, nomeadamente com a criação do Tarot Rider-Waite em 1909. Concebido por Arthur Edward Waite e ilustrado por Pamela Colman Smith, este baralho introduziu imagens detalhadas e simbólicas em todas as cartas, incluindo os arcanos menores, o que tornou as leituras mais narrativas e intuitivas. Esta versão do tarot tornou-se uma das mais populares e influentes no mundo ocidental.
Hoje, o tarot é usado não só para adivinhação, mas também para meditação, desenvolvimento pessoal e até como uma forma de arte terapêutica. Os baralhos modernos de tarot oferecem uma vasta gama de estilos artísticos e interpretações temáticas, refletindo uma diversidade cultural e espiritual.

















