Detalhes - Raiz de Beladona

Uma planta associada à morte e ao destino

A Beladona, também chamada Atropa Belladonna, deve o seu nome a Atropos, uma das Moiras da mitologia grega, aquela que corta o fio da vida. Este nome destaca bem a natureza desta planta, cujas bagas contêm um veneno capaz de matar rapidamente. A sua reputação temível construiu-se em torno desta associação entre beleza mortal e poder de cortar o destino.


Da sedução aos comportamentos extremos

Em Itália, o sumo de Beladona era usado para dilatar as pupilas, o que era visto como um sinal de beleza. Esta prática deu origem ao apelido « Bella Donna », que significa « bela dama ». Contudo, os efeitos secundários da planta provocavam comportamentos desviantes: alucinações, acessos de violência e perda de controlo. Algumas mulheres, sob a sua influência, tornavam-se agressivas ao ponto de cometer o irreparável.


O unguento dos sabás e a lenda da vassoura

A Beladona fazia parte da composição dos ungüentos usados pelas bruxas antes dos rituais. Aplicados na pele, estes ungüentos desencadeavam visões intensas e alteravam a perceção sensorial. Esta alteração dava a sensação de voar ou de sair do corpo, o que alimentou o imaginário em torno das bruxas a voar nas suas vassouras. Na tradição antiga, figuras como Circe já exploravam esta planta pelos seus poderes de metamorfose.


Uma planta amaldiçoada pela Igreja

Com o advento das religiões monoteístas, a Beladona tornou-se a personificação das práticas proibidas. O seu uso foi associado aos sabás, aos pactos e aos rituais considerados demoníacos. Serviu de prova contra nos julgamentos de bruxaria e de justificação para a perseguição das mulheres que detinham conhecimentos de ervas.


Um ingrediente mágico a manusear com precaução

Hoje em dia, a raiz da Beladona mantém o seu lugar nas práticas mágicas tradicionais. É usada em rituais focados na sedução, influência ou proteção. O seu poder é temido, e deve ser manipulada com cuidado. Em frascos de feitiços ou saquinhos mágicos, está sempre fechada hermeticamente. A sua presença evoca um poder antigo, ao mesmo tempo sedutor e perigoso.