Atribuições
Izanami-no-Mikoto, frequentemente chamada simplesmente Izanami, é uma deusa primordial na mitologia xintoísta. É conhecida por ser tanto a deusa da criação como da morte. Com o seu irmão e esposo Izanagi, Izanami desempenhou um papel crucial na criação do mundo, nomeadamente das ilhas do Japão e de muitos kami (espíritos divinos). Após a sua morte trágica durante o nascimento do deus do fogo, Kagutsuchi, torna-se a rainha do Yomi, o mundo dos mortos, marcando assim a sua transição de uma divindade da vida para uma figura do além.
Símbolos e aparências
Izanami é frequentemente representada como uma figura maternal mas também aterradora, refletindo os seus papéis de criadora e destruidora. Nas representações artísticas, pode aparecer com aspetos tanto belos como decadentes, simbolizando a sua ligação com a vida e a morte. Por vezes é vista vestindo roupas que evocam a nobreza mas também o luto, e pode estar rodeada de elementos sombrios ou de chamas, recordando o seu fim trágico e o seu reinado sobre o mundo dos mortos.
Mitos
O mito mais famoso de Izanami é a sua descida ao Yomi após a sua morte. Quando Izanagi a visita no mundo dos mortos para a trazer de volta, descobre que o seu corpo se decomposou. Horrorizado, foge, e Izanami, sentindo-se traída, persegue-o. Ela promete matar mil pessoas por dia em retaliação pelo seu abandono. Izanagi então sela a entrada do Yomi com uma rocha, separando definitivamente o mundo dos vivos do dos mortos. Este mito destaca temas de vida, morte, criação e destruição, sublinhando a complexidade da condição humana.
Mensagem espiritual
A mensagem espiritual de Izanami baseia-se na dualidade da criação e da destruição, ensinando que a morte e a vida estão intrinsecamente ligadas e são necessárias uma à outra para a renovação do mundo. A sua presença no Yomi sublinha a importância de respeitar os mortos e reconhecer a mortalidade como uma parte natural da existência. Como mãe de muitos kami, ela também encarna a fertilidade e o poder da criação, lembrando que mesmo do fim pode emergir um novo começo. Izanami desafia-nos a reconhecer e aceitar tanto os aspetos nutritivos como destrutivos da natureza, promovendo um respeito profundo pelos ciclos da vida e da morte.























