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A Fada do Azevinho

A Fada do Azevinho

Como talvez saiba, por trás da Aeternum está uma pequena empresa sediada na Bretanha (no sul do Finistère, para ser mais preciso). E é bem conhecido que este território vive ao ritmo das lendas, mitos e práticas mágicas mais ou menos conhecidas (Brocéliande, Merlin, a Fada Viviane, os Alinhamentos e muitos outros). Assim, para dar destaque ao nosso belo território, publicaremos regularmente lendas pouco conhecidas da história bretona.

Vamos descobrir juntos a lenda da Fada do Azevinho. Note que se trata de uma interpretação livre do conto de Adolphe Orain publicado em 1904.

Na encantada comuna de Essé, em Ille-et-Vilaine, encontra-se um local envolto em mistério, o Dolmen da Roche-aux-Fées. Este antigo monumento, composto por 43 blocos maciços de xisto empilhados com uma precisão quase sobrenatural, era outrora rodeado por uma vasta floresta, testemunha silenciosa de épocas passadas. Segundo outra lenda, estes blocos teriam sido colocados aqui por fadas, daí o seu nome.

Na história, um casal, Jérôme e Gertrude, vivia numa modesta cabana em Essé. Todos os dias trabalhavam arduamente na floresta, cortando lenha para ganhar a vida. Numa noite, enquanto descansavam, exaustos e desiludidos com a sua existência precária, lamentaram-se do seu destino difícil.

De repente, um som estranho chamou a sua atenção. Um grande azevinho, que se erguia majestosamente perto da sua cabana, parecia ser a fonte desse som. Para sua grande surpresa, uma encantadora criatura desceu dele. Era a Fada do Azevinho, uma visão de graça, com uma coroa de azevinho e bagas vermelhas que ornavam as suas orelhas.

a fada do azevinho

A fada, comovida com as suas queixas, ofereceu-lhes uma bolsa contendo moedas de ouro inesgotáveis. No entanto, impôs uma condição: nunca deveriam tentar descobrir o que estava escondido num pote misterioso enterrado no coração da Roche-aux-Fées. Jérôme e Gertrude fizeram a promessa solene de respeitar essa condição.

fada do azevinho

Nos primeiros tempos, viveram em euforia, gastando o ouro sem contar. Mas logo o luxo e a ociosidade os cansaram. Gertrude, em particular, foi atormentada pela curiosidade de descobrir o conteúdo do pote.

Numa noite, não resistindo mais, dirigiu-se secretamente à Roche-aux-Fées. Apesar das súplicas de Jérôme, desenterrou e abriu o pote, revelando não um tesouro, mas cinzas e ossos. A abertura do pote quebrou a sua promessa e o ouro da bolsa desapareceu imediatamente.

Enquanto o casal chorava a sua perda, a Fada do Azevinho reapareceu, confrontando-os com a sua falha. Lembrou-lhes as suas palavras sobre a queda de Eva e destacou a ironia da sua própria queda. A desobediência deles selara o seu destino.

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A fada desapareceu, deixando Jérôme e Gertrude numa miséria ainda maior. Tinham perdido não só a sua riqueza efémera, mas também a simplicidade e a satisfação que encontravam na sua vida laboriosa.

Assim termina a lenda da Fada do Azevinho. Ela continua a ressoar através dos séculos, um aviso eterno contra a cobiça e a importância das promessas. Recorda que os verdadeiros tesouros da vida residem muitas vezes no que já possuímos e na nossa capacidade de apreciar as coisas simples da vida.

Olivier d’Aeternum
Par Olivier d’Aeternum

Apaixonado pelas tradições esotéricas e pela história do oculto desde as primeiras civilizações até ao século XVIII, partilho alguns artigos sobre estes temas. Sou também co-criador da loja esotérica online Aeternum.

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