Como talvez saiba, por trás da Aeternum está uma pequena empresa sediada na Bretanha (no sul do Finistère, para ser preciso). E é bem conhecido que este território vive ao ritmo das lendas, mitos e práticas mágicas mais ou menos conhecidas (Brocéliande, Merlin, a Fada Viviane, os Alinhamentos e muitos outros). Assim, para dar destaque ao nosso belo território, publicaremos regularmente lendas pouco conhecidas da história bretã.
Esta semana, proponho-lhe descobrir a lenda de Gargantua. Este nome ressoa em várias regiões de França e do mundo, conhecido pelo seu apetite tão grande quanto o seu tamanho. Mas a lenda bretã traça um retrato ligeiramente diferente. Por isso, proponho contar-lhe a história.
A epopeia de Gargantua começa a pedido do rei Artur, que recorre a Merlin para o ajudar a superar os seus adversários. Este último usa os seus talentos de necromante (ato de magia e adivinhação com os defuntos) utilizando os ossos de duas baleias para dar vida a Grantgosier e Gallemelle. Estes dois colossos dão então origem a Gargantua.

Diz-se que, no momento do seu nascimento, o cosmos pareceu suspender o seu curso: o sol ficou imóvel durante três horas, a lua durante seis horas, os ventos permaneceram silenciosos durante três dias, e até as árvores ficaram imóveis durante três meses.
Foi baptizado Gargantua na presença da fada Morgana e da fada Filocrate, designadas como suas madrinhas.
Claro que a lenda insiste na sua estatura gigantesca, na sua força prodigiosa e no seu apetite insaciável. Com apenas três anos, já atingia uma altura de 180 metros, ultrapassando assim o segundo andar da Torre Eiffel.
Para ir até Inglaterra a pedido de Merlin, Gargantua, Grantgosier e Gallemelle empreendem uma viagem pela Europa, até se depararem com um obstáculo não tão insuperável para gigantes de várias centenas de metros de altura: o Canal da Mancha.
Cada um depositou uma pedra para atravessá-lo, dando assim origem ao Mont-Saint-Michel e ao ilhéu de Tombelaine.
No entanto, um destino trágico aguardava os dois progenitores, que sucumbiram a uma febre contra a qual não puderam lutar. Sim, micróbios microscópicos venceram os pais de Gargantua, que continuou o seu caminho, a sua razão de ser vindo do destino de Merlin.
As aventuras de Gargantua levam-no a Londres, onde salva o rei Artur de uma invasão inimiga. Regressa várias vezes a França, Merlin usando-o como uma arma temível, mas por vezes para seu conforto, como pedir-lhe para trazer sal de Guérande, deixando assim nenhum stock para os aldeões, o que criou um sentimento de raiva crescente.
Foi assim que, durante as suas viagens entre Inglaterra e o continente, fez uma bela paragem em Saint-Malo.
Para honrar a sua reputação, engoliu nada menos que... 790 bois, o que lhe causou uma indigestão, fazendo-o "vomitar" as ilhas do Petit e do Grand Bé. Da mesma forma, nunca saciado, teria criado a ilha de Agot perto de Saint-Briac. Assim nasceu a lenda do apetite insaciável de Gargantua. Mas a história não termina aqui.
Também se atribui a Gargantua a criação da Anse de Vigneux, onde um dente terá mesmo sido encontrado, sob a forma do Menhir de Chablé, com 5 metros de altura, uma lembrança funesta.
De facto, a lenda conta que o gigante, misteriosamente tornado pai, terá tentado devorar o seu próprio filho! Mas testemunhas terão intervindo para salvar a criança, colocando rapidamente uma rocha no seu lugar, fazendo Gargantua perder um dente ao engoli-la: o famoso menhir. Louco de raiva, terá acidentalmente matado o filho com um soco.

Comovidos por este drama, as testemunhas terão atormentado Gargantua até à sua morte, um ano depois.
É assim que termina a lenda de Gargantua, uma história mais sombria do que algumas versões descritas noutros locais. Retenha bem a lição: não irrite um gigante!
Fonte complementar: Os Segredos de Saint-Malo
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