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Descobrir a Astrologia Védica

Descobrir a Astrologia Védica

No sumário...

 1. Uma disciplina milenar

1.1. À descoberta da Astrologia Védica
1.2. Contexto histórico e cultural

2. Os fundamentos da Astrologia Védica

2.1. Os Vedas e a sua influência
2.2. Os conceitos básicos
2.2.1. Navagrahas: os nove planetas
2.2.2. Bhavas: as doze casas

2.2.3. Rashis: os doze signos do Zodíaco

3. Os princípios chave da Astrologia Védica

3.1. O mapa astral (Kundli)
3.2. Os períodos planetários (Dashas)
3.3. Os yogas astrológicos

4. As aplicações da Astrologia Védica

4.1. A astrologia para a previsão individual
4.1.1. Casamento e vida conjugal
4.1.2. Carreira e finanças
4.1.3. Saúde e bem-estar
4.2. A astrologia mundial
4.2.1. Previsões relacionadas com eventos mundiais
4.2.2. Influência nas culturas e sociedades

5. O lugar da Astrologia Védica

5.1. Comparações com outros sistemas astrológicos
5.1.1. Diferenças nos métodos de cálculo
5.1.2. Referências culturais e simbólicas
5.1.3. Debates sobre a validade relativa
5.1.4. Estruturas simbólicas comuns
5.2. Evolução contemporânea da Astrologia Védica

6. A palavra final

 

A astrologia védica difere da nossa astrologia principalmente pelo facto das suas origens: enquanto a segunda encontra as suas raízes na Grécia antiga, a primeira baseia-se nos antigos textos sagrados da Índia, nomeadamente os Vedas, utilizando as mesmas observações como a posição dos astros ou os signos do zodíaco, mas concentra-se em períodos precisos para prever os eventos da vida.

1. Uma disciplina milenar

A astrologia védica, também conhecida como Jyotish, representa uma disciplina antiga e complexa que tira as suas raízes da sabedoria milenar dos Vedas, os textos sagrados da Índia antiga. Esta forma particular de astrologia desenvolveu-se ao longo dos séculos, integrando conhecimentos astronómicos, filosóficos e espirituais para oferecer uma compreensão holística do universo e da existência humana.

1.1. À descoberta da Astrologia Védica

A astrologia védica, também conhecida como Jyotish, constitui um sistema complexo e holístico que transcende a simples arte da previsão para oferecer uma visão profunda da relação entre o universo e o indivíduo. Fundamentalmente enraizada nos Vedas, os textos sagrados da Índia antiga, esta disciplina percebe a influência dos astros e dos planetas como uma força determinante no curso do destino humano.

Vedas Índia

O seu sistema de referência metafísico divide o firmamento em doze casas distintas, chamadas Bhavas, cada uma representando uma esfera específica da vida humana. Cada uma destas casas está impregnada de significados simbólicos profundos, desde os aspetos materiais como a riqueza e a carreira, aos aspetos mais íntimos como as relações e a espiritualidade. Estas casas servem de pano de fundo à análise meticulosa da posição dos nove planetas, conhecidos como Navagrahas, que, segundo a crença védica, emitem energias subtis que influenciam o destino individual.

No coração da astrologia védica reside o tema astral, o Kundli, um mapa celestial pessoal que traça o padrão das constelações no momento do nascimento de um indivíduo. Este mapa torna-se a peça central da análise astrológica, oferecendo uma representação visual dos alinhamentos celestes específicos no momento crucial da entrada de um ser neste mundo. O Kundli torna-se assim o ponto de partida de uma exploração meticulosa das potencialidades, desafios e oportunidades que marcarão o percurso de vida da pessoa.

1.2. Contexto histórico e cultural da Astrologia Védica

O surgimento da astrologia védica remonta a milénios, mergulhando as suas raízes no berço da civilização indiana antiga. Esta tradição secular testemunha uma conexão profunda entre a sabedoria astrológica e o rico tecido cultural da Índia. Os Vedas, considerados os textos fundadores da espiritualidade védica, representam o ponto de partida desta exploração cósmica, revelando conhecimentos subtis sobre os movimentos dos astros e a sua influência no destino humano.

Nos Vedas, os hinos dedicados às divindades celestiais, como Agni, Vayu e Varuna, destacam a veneração das forças cósmicas e o reconhecimento do seu papel preponderante na vida quotidiana. Estes textos antigos contêm indicações preciosas sobre a observação atenta do céu estrelado, os ciclos planetários e as configurações astrais, sugerindo assim que os pensadores védicos estavam fascinados pelos mistérios do cosmos muito antes do advento formal da astrologia.

Varuna Índia

Ao longo dos séculos, esta fascinação evoluiu para uma disciplina estruturada e sistemática, e a astrologia védica prosperou dentro da rica cultura indiana. Ela transcendeu as fronteiras do conhecimento esotérico para se tornar uma componente integrante das práticas religiosas, médicas e até políticas da antiga Índia. Reis e governantes consultavam frequentemente astrólogos védicos para tomar decisões importantes, desde o planeamento de batalhas até à escolha de momentos propícios para eventos cruciais.

2. Os fundamentos da Astrologia Védica

2.1.  Os Vedas e a sua influência

A astrologia védica tem raízes profundas nos Vedas, os textos sagrados e fundadores da espiritualidade védica. Estes escritos antigos, distribuídos em quatro grandes coleções - Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Atharvaveda, encerram uma sabedoria milenar que transcende os aspetos religiosos para abordar os mistérios do cosmos. A influência dos Vedas na astrologia védica é fundamental, pois estes textos fornecem as bases filosóficas, astronómicas e metafísicas sobre as quais assenta esta disciplina.

Os Vedas, especialmente nas suas secções dedicadas a Jyotisha (a ciência dos astros), contêm referências preciosas aos movimentos celestes, às constelações e às influências planetárias sobre o destino humano. Estes ensinamentos ancestrais serviram de base para a elaboração de um sistema astrológico complexo, moldando assim a compreensão védica da ligação entre o macrocosmo e o microcosmo.

2.2. Os conceitos básicos da Astrologia Védica

2.2.1. Navagrahas: os nove planetas

Os nove planetas, ou Navagrahas, constituem um elemento essencial e cativante da astrologia védica, mergulhando os adeptos num mundo cósmico onde as influências celestes moldam o destino dos indivíduos. Para além dos planetas clássicos do sistema solar, este conjunto único engloba também os nós lunares, Rahu e Ketu, que acrescentam uma dimensão mística a esta assembleia celestial.

Lista dos 9 Navagrahas

Navagraha Significado
1. Sol (Surya) Vitalidade, liderança, vontade
2. Lua (Chandra) Emoções, intuição, feminilidade
3. Marte (Mangala) Energia, ação, coragem
4. Mercúrio (Budha) Inteligência, comunicação, análise
5. Júpiter (Guru) Sabedoria, crescimento espiritual, prosperidade
6. Vénus (Shukra) Amor, beleza, harmonia
7. Saturno (Shani) Disciplina, responsabilidade, restrição
8. Rahu Ambição, escuridão, mistério (nó norte)
9. Ketu Libertação, espiritualidade, renúncia (nó sul)


Cada uma destas nove entidades celestes é muito mais do que uma simples esfera em órbita; é portadora de significados profundos, simbolizando aspetos específicos da existência humana. Por exemplo, o Sol, ou Surya, encarna a vitalidade, a vontade e a liderança, enquanto a Lua, ou Chandra, está associada às emoções, à intuição e à feminilidade. Os outros planetas, como Marte (Mangala), Mercúrio (Budha), Júpiter (Guru), Vénus (Shukra), Saturno (Shani), Rahu e Ketu, ocupam também papéis distintos, cada um regendo diferentes aspetos da vida terrestre.

Navagrahas


Uma das características notáveis dos Navagrahas é a sua ligação estreita com o conceito de karma. Cada planeta é considerado um agente kármico, incorporando as ações passadas e influenciando as experiências presentes e futuras de um indivíduo. Assim, o estudo da interação complexa destes planetas no mapa astral, ou Kundli, oferece aos astrólogos védicos uma tela sobre a qual tecem previsões e interpretações detalhadas. Por exemplo, a influência de Júpiter está frequentemente associada à sabedoria, ao crescimento espiritual e à prosperidade, enquanto Saturno pode representar lições kármicas, desafios e crescimento pessoal através da adversidade. Rahu e Ketu, os nodos lunares, são considerados pontos sensíveis onde se concentram energias kármicas complexas e desafios evolutivos.

2.2.2. Bhavas: as doze casas

As doze casas, também conhecidas como Bhavas, representam um mapa celeste complexo na astrologia védica, oferecendo uma janela perspicaz para as diversas facetas da vida de um indivíduo. Ao dividir o mapa astral em doze setores distintos, cada casa detém uma influência única, iluminando assim áreas variadas que vão além das simples preocupações materiais para abranger as dimensões mais íntimas da existência.

Cada uma destas casas é como um capítulo no livro do destino, revelando histórias específicas que moldam o percurso de vida de um indivíduo. Os Bhavas vão muito além das considerações básicas, mergulhando profundamente nas águas da experiência humana. Por exemplo, a primeira casa, ou Lagna Bhava, é frequentemente chamada de casa do eu, revelando as características fundamentais da personalidade e a abordagem da vida de um indivíduo.

Lista das doze casas

Bhava Significado Planeta associado Parte do corpo associada
Lagna Bhava Eu, personalidade, aparência física Sol (Surya) Cabeça, rosto
Dhana Bhava Finanças, riqueza, posses Júpiter (Guru) Rosto, pescoço
Sahaja Bhava Irmãos e irmãs, comunicação, coragem Marte (Mangala) Braços, mãos
Bandhu Bhava Casa, família, propriedade Lua (Chandra) Peito, estômago
Putra Bhava Crianças, criatividade, romance Júpiter (Guru) Ventre, região abdominal
Ari Bhava Doenças, inimigos, obstáculos Marte (Mangala) e Saturno (Shani) Rins, parte inferior das costas
Yuvati Bhava Parcerias, casamentos, relações Vénus (Shukra) Rins, parte inferior das costas
Randhra Bhava Morte, transformação, herança Saturno (Shani) Órgãos genitais, esfíncter
Dharma Bhava Espiritualidade, viagens, sabedoria Júpiter (Guru) Coxa, ancas
Karma Bhava Carreira, estatuto social, reputação Sol (Surya) Joelhos, articulações
Labha Bhava Ganhos, aspirações, amizades Júpiter (Guru) Panturrilhas, tornozelos
Vyaya Bhava Perdas, espiritualidade, confinamento Saturno (Shani) Pés, tornozelos


Os domínios mais tangíveis da vida também são representados, com a segunda casa ligada às finanças, à riqueza e à gestão dos recursos materiais. A quinta casa, frequentemente chamada de casa das crianças, da criatividade e do romance, oferece uma visão dos aspetos mais lúdicos e expressivos da vida. A décima casa, por sua vez, influencia a carreira, a reputação social e o estatuto profissional.

A análise aprofundada dos Bhavas é crucial para os astrólogos védicos, pois oferece uma compreensão nuançada das circunstâncias e das oportunidades que marcam o percurso de vida de um indivíduo. A posição específica dos planetas em cada uma dessas casas acrescenta uma dimensão adicional, influenciando diretamente a natureza das experiências que se podem encontrar.

2.2.3. Rashis: os doze signos do Zodíaco

Os Rashis, ou signos do zodíaco, representam a posição do Sol no momento do nascimento de uma pessoa. Cada um dos doze signos oferece características distintas e determina os traços de personalidade, as preferências e os desafios associados a um indivíduo. Ao combinar as posições dos planetas com as dos Rashis, a astrologia védica oferece uma leitura detalhada e nuançada da personalidade de uma pessoa, contribuindo assim para uma compreensão mais profunda de si mesmo e do seu caminho de vida.

Lista dos doze signos do Zodíaco

Rashi Significado Planeta regente
Carneiro (Mesha) Energia, iniciativa, coragem Marte (Mangala)
Touro (Vrishabha) Estabilidade, perseverança, sensualidade Vénus (Shukra)
Gémeos (Mithuna) Comunicação, inteligência, adaptabilidade Mercúrio (Budha)
Caranguejo (Karka) Família, emoções, sensibilidade Lua (Chandra)
Leão (Simha) Criatividade, liderança, autoconfiança Sol (Surya)
Virgem (Kanya) Análise, serviço, precisão Mercúrio (Budha)
Balança (Tula) Relações, equilíbrio, estética Vénus (Shukra)
Escorpião (Vrishchika) Transformação, paixão, intensidade Marte (Mangala)
Sagitário (Dhanu) Expansão, espiritualidade, otimismo Júpiter (Guru)
Capricórnio (Makara) Ambição, responsabilidade, estabilidade Saturno (Shani)
Aquário (Kumbha) Originalidade, humanitarismo, independência Saturno (Shani) e Rahu
Peixes (Meena) Sensibilidade, intuição, compaixão Júpiter (Guru) e Neptuno

 

3. Os princípios chave da Astrologia Védica 

3.1.  O tema astral (Kundli)

O mapa astral, ou Kundli na astrologia védica, constitui uma exploração profunda da influência cósmica na vida de um indivíduo, capturando a disposição única dos planetas, dos signos do zodíaco e das casas astrológicas no momento exato do seu nascimento. A elaboração do Kundli é um processo meticuloso e informatizado, baseado nas coordenadas exatas do nascimento, incluindo a data, a hora e o local, que são elementos cruciais para representar com precisão a configuração celeste nesse momento particular.

Cálculo e interpretação

O astrólogo védico utiliza software especializado que tem em conta as posições exatas dos planetas em relação aos signos do zodíaco e às casas astrológicas. Uma vez gerado, o Kundli apresenta-se sob a forma de um diagrama complexo, ilustrando a dinâmica interplanetária única que influencia o destino do indivíduo. Cada elemento do Kundli é cuidadosamente estudado para revelar informações detalhadas sobre a personalidade, os talentos inatos, os desafios potenciais e as oportunidades a explorar ao longo da vida. Tradicionalmente, os elementos são estudados sob a forma de uma tabela particular que considera todas as variáveis: signos do Zodíaco, casas, planetas, aspetos planetários, dashas.

Kundli

A posição de cada planeta num signo dado e numa casa específica oferece indicações especiais. Por exemplo, se o Sol estiver posicionado na casa do trabalho, isso pode sugerir uma forte orientação para a carreira. Da mesma forma, se a Lua ocupar uma posição predominante na casa da família, isso pode indicar uma influência emocional profunda da esfera familiar na vida da pessoa.

Os aspetos complexos entre os planetas, conhecidos como aspetos planetários, acrescentam uma camada adicional de interpretação. As conjunções, oposições e outros aspetos entre os planetas fornecem informações sobre as dinâmicas internas, as relações e as influências energéticas específicas que moldam a vida de um indivíduo.

3.2. Os períodos planetários (Dashas)

Os Dashas, ou períodos planetários, constituem uma abordagem essencial na Astrologia Védica, oferecendo uma compreensão detalhada da evolução da vida de um indivíduo através das influências específicas dos planetas. Esta metodologia baseia-se na convicção de que cada planeta exerce uma influência distinta em diferentes fases da vida de uma pessoa.

Significado e utilização

Os Dashas dividem-se em vários níveis, sendo o mais importante o Mahadasha, um período de longa duração governado por um planeta específico. Cada Mahadasha é depois dividido em Antar dashas (subperíodos) e Pratyantar dashas (sub-subperíodos), permitindo uma análise mais precisa das influências planetárias:

  • Durante uma Mahadasha específica, o planeta que a governa torna-se o principal ator no palco da vida do indivíduo. Por exemplo, uma Mahadasha de Júpiter pode estar associada a períodos de crescimento espiritual, expansão da consciência e prosperidade. As qualidades específicas de Júpiter, como a sabedoria e a benevolência, tornam-se então forças motrizes na vida da pessoa.

  • Os Antar dashas trazem uma nuance adicional ao revelar como uma sub-período específico do planeta principal influencia a situação. Se, por exemplo, uma Mahadasha é dominada por Júpiter, um Antar dasha de Marte pode introduzir elementos de ação, energia e dinamismo na esfera da expansão espiritual.

  • Os Pratyantar dashas, sendo os mais curtos na hierarquia dos Dashas, refinam ainda mais o timing dos eventos e das experiências. Estes períodos podem ser cruciais para compreender as nuances específicas da influência planetária num dado momento.

3.3. Os yogas astrológicos

Os yogas astrológicos, joias escondidas no tecido complexo do Kundli, acrescentam uma dimensão rica à astrologia védica. Estas combinações planetárias especiais atuam como catalisadores cósmicos, desencadeando energias únicas que podem moldar significativamente o destino de um indivíduo.

As combinações planetárias especiais

Os yogas astrológicos emergem da harmonia ou da coexistência particular de certos planetas em posições específicas do Kundli. Por exemplo, o poderoso Gajakesari Yoga forma-se quando Júpiter, o planeta da sabedoria, e a Lua, símbolo do espírito e das emoções, ocupam posições favoráveis no tema astral. Esta combinação é frequentemente interpretada como um presságio de sabedoria, riqueza e fama para o indivíduo.

Outro exemplo notável é o Rajayoga, que ocorre quando certos planetas, geralmente planetas benéficos, se encontram em casas específicas do Kundli. Este yoga é frequentemente interpretado como um indicador de uma vida bem-sucedida, com bênçãos de estatuto, riqueza e felicidade.

Os astrólogos védicos, especialistas na arte subtil de decifrar os símbolos celestes, analisam meticulosamente estes yogas para fornecer insights aprofundados sobre os potenciais e os destinos individuais. Cada yoga traz a sua própria tonalidade à história escrita no céu, oferecendo indicações preciosas sobre as áreas da vida onde uma pessoa pode brilhar ou enfrentar desafios específicos.

Note que a leitura destes elementos requer uma experiência avançada e uma compreensão profunda do significado simbólico de cada planeta, da sua posição no Kundli e das suas relações com outros corpos celestes.

4. As aplicações da Astrologia Védica

A astrologia védica, rica em sabedoria antiga, transcende o seu papel de simples previsão pessoal para se estender a domínios diversificados da vida individual e coletiva.

4.1. A astrologia para a previsão individual

A astrologia védica destaca-se na previsão individual, oferecendo esclarecimentos profundos sobre diversos aspetos da vida.

4.1.1. Casamento e vida conjugal

A análise aprofundada do Kundli pelos astrólogos védicos oferece chaves preciosas para compreender as dinâmicas do casamento. Ao focar-se em elementos como a posição de Vénus, o planeta do amor e da harmonia, e a sétima casa dedicada ao casamento, os praticantes podem discernir as tendências relacionadas com a vida conjugal. Nuances subtis, como a força de Vénus e os aspetos planetários sobre a sétima casa, revelam as compatibilidades e os desafios potenciais nas relações amorosas. Os momentos propícios para compromissos significativos, como o casamento, são também revelados, permitindo aos indivíduos tomar decisões esclarecidas.

4.1.2. Carreira e finanças

A astrologia védica foca-se nas configurações celestes que governam a carreira e as finanças. As posições de Saturno, planeta da disciplina e da estrutura, bem como do Sol, símbolo da vitalidade e da liderança, são escrupulosamente examinadas. A décima casa, associada à carreira, torna-se uma janela crucial para compreender as oportunidades profissionais. Os astrólogos védicos decifram os períodos propícios para o avanço profissional e o crescimento financeiro, permitindo aos indivíduos navegar estrategicamente no seu percurso profissional.

4.1.3. Saúde e bem-estar

A saúde, elemento essencial do bem-estar individual, está no centro das preocupações astrológicas. Ao analisar as combinações planetárias relacionadas com a saúde na sexta casa, os astrólogos védicos podem antecipar períodos de vitalidade e eventuais desafios de saúde. Podem ser recomendadas precauções, e remédios astrológicos, como rituais específicos ou pedras preciosas associadas a planetas benéficos, podem ser sugeridos para reforçar a saúde. É uma abordagem holística que integra a compreensão da saúde física e mental, oferecendo conselhos preventivos para uma vida equilibrada.

4.2. A astrologia mundial

A Astrologia Védica estende-se também à análise de eventos mundiais, influenciando culturas e sociedades.

4.2.1. Previsões relacionadas com eventos mundiais

Os astrólogos védicos dedicam-se a uma exploração meticulosa das configurações celestes que impactam as casas astrológicas relacionadas com as nações e os eventos mundiais. Estas análises oferecem uma perspetiva única sobre as tendências económicas, os conflitos geopolíticos e outros eventos significativos a nível global. Por exemplo, o exame dos trânsitos planetários que influenciam o mapa astrológico de uma nação pode revelar períodos de prosperidade, turbulência ou evolução política. Esta abordagem permite antecipar mudanças importantes e compreender as influências celestes que moldam o destino das nações.

4.2.2. Influência nas culturas e nas sociedades

A Astrologia Védica oferece uma perspetiva fascinante sobre a forma como os movimentos planetários influenciam a evolução das sociedades e das culturas. Os trânsitos de Júpiter, frequentemente ligados à expansão, à sabedoria e à espiritualidade, são observados atentamente. Estes momentos particulares podem sinalizar períodos propícios ao crescimento cultural, ao florescimento espiritual e ao surgimento de novas ideias. Da mesma forma, as posições de Saturno podem indicar fases de disciplina, de reestruturação social ou de reflexão profunda dentro de uma sociedade.

Por exemplo, um trânsito de Saturno a influenciar uma casa relacionada com a educação pode indicar um período em que as sociedades são incentivadas a concentrar-se na educação, na investigação e no desenvolvimento intelectual. Os astrólogos védicos podem assim prever tendências culturais emergentes e aconselhar sobre as melhores formas de navegar por estes períodos de mudança.

5. O lugar da Astrologia Védica

5.1. Comparações com outros sistemas astrológicos

5.1.1. Diferenças nos métodos de cálculo

Uma das principais distinções entre a astrologia védica e outros sistemas reside nos métodos de cálculo. Enquanto a astrologia ocidental se baseia frequentemente no zodíaco tropical, a astrologia védica utiliza o zodíaco sideral, resultando em posições planetárias ligeiramente deslocadas. Estas diferenças têm um impacto significativo nos temas astrais gerados, criando interpretações divergentes das influências celestes.

5.1.2. Referências culturais e simbólicas

As referências culturais desempenham um papel crucial na forma como cada sistema interpreta os símbolos astrológicos. A astrologia ocidental, por exemplo, desenvolveu-se no contexto da filosofia helenística e incorporou arquétipos da mitologia grega. Por outro lado, a astrologia védica está profundamente enraizada na tradição indiana, incorporando conceitos extraídos dos Vedas e da filosofia hindu. As referências simbólicas e culturais influenciam o significado atribuído aos planetas, às casas e aos signos do zodíaco.

5.1.3. Debates sobre a validade relativa

Os debates sobre a validade relativa dos sistemas astrológicos emergem das divergências nas previsões e interpretações. Alguns destacam que as semelhanças entre as previsões de vários sistemas reforçam a ideia de uma influência astrológica real. Por exemplo, se vários sistemas preveem um período propício para o crescimento pessoal, isso pode ser considerado um ponto forte para a astrologia em geral. Outros, no entanto, argumentam que essas semelhanças podem resultar de estruturas simbólicas comuns partilhadas por diferentes culturas, questionando a especificidade das previsões astrológicas.

5.1.4. Estruturas simbólicas comuns

Alguns investigadores sugerem que as estruturas simbólicas comuns, presentes em diversas culturas, podem explicar as semelhanças entre as previsões astrológicas. Arquétipos universais, como a dualidade do bem e do mal, a busca do eu e os ciclos da vida, podem ser interpretados de diferentes formas consoante o contexto cultural, contribuindo assim para as convergências aparentes entre os sistemas astrológicos.

5.2. Evolução contemporânea da Astrologia Védica

A astrologia védica, embora profundamente enraizada na tradição, não escapou à evolução contemporânea. Alguns praticantes adaptaram as técnicas tradicionais à era moderna, integrando elementos de psicologia, aconselhamento (apoio emocional, psicológico e por vezes prático) e outras disciplinas conexas para oferecer consultas mais holísticas. No entanto, esta evolução também suscitou críticas daqueles que consideram que estas inovações desvirtuam os fundamentos autênticos da astrologia védica.

6. A palavra final

A exploração da astrologia védica através deste dossier revela uma disciplina antiga e complexa que soube atravessar os séculos, impregnando a vida quotidiana de muitas pessoas em busca de compreensão e orientação. Fundada em princípios provenientes dos Vedas e profundamente enraizada na tradição indiana, a astrologia védica oferece um olhar único sobre o destino humano, iluminando a interconexão entre os astros e a vida na Terra.

A astrologia védica continua a ser um fenómeno fascinante que continua a influenciar a vida de muitas pessoas em todo o mundo. Quer se adote uma abordagem cética ou se mergulhe na riqueza dos seus símbolos, a astrologia védica permanece um espelho complexo da relação entre o céu estrelado e o percurso humano, oferecendo uma perspetiva única sobre a viagem de cada indivíduo através do cosmos infinito da vida.

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Olivier d’Aeternum
Par Olivier d’Aeternum

Apaixonado pelas tradições esotéricas e pela história do oculto desde as primeiras civilizações até ao século XVIII, partilho alguns artigos sobre estes temas. Sou também co-criador da loja esotérica online Aeternum.

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