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À descoberta do tarot Rider-Waite

À descoberta do tarot Rider-Waite

NO ÍNDICE...

 

1. As origens do tarot Rider-Waite
2. A publicação do tarot Rider Waite
3. A estrutura e o simbolismo do tarot Rider-Waite
4. Em que é que o tarot Rider-Waite é mais simples do que o tarot de Marselha?


No mundo do tarot, alguns baralhos tornaram-se referências particulares entre os praticantes. Certamente conhece o tarot de Marselha, mas conhece o tarot Rider-Waite (ou Rider-Waite-Smith)? A sua facilidade, riqueza simbólica, mas sobretudo a sua elaboração por dois membros de uma sociedade secreta, fizeram deste tarot o mais popular do mundo, e sim! Eu explico-lhe tudo. E se o tarot divinatório lhe interessa, pode consultar o nosso guia do tarot.

1. As origens do tarot Rider-Waite

1.1. A criação do tarot  Rider-Waite-Smith

O tarot Rider-Waite, também conhecido como Rider-Waite-Smith, foi concebido no início do século XX. Foi publicado pela primeira vez em 1909 pela editora Rider & Company. A iniciativa deste baralho de tarot inovador é atribuída a Arthur Edward Waite, um eminente ocultista e estudioso da sua época, que desejava criar um baralho de tarot acessível e rico em simbolismo esotérico. Waite pretendia reformar as cartas de tarot, dando maior ênfase aos aspetos místicos e espirituais, tornando cada carta mais intuitiva e compreensível, mesmo para os neófitos.

1.2. Arthur Edward Waite

Arthur Edward Waite


Arthur Edward Waite nasceu em 1857 em Brooklyn, Nova Iorque, e cresceu em Inglaterra após a morte do seu pai. Fascinado pelos mistérios ocultos desde jovem, Waite tornou-se um membro influente da Ordem Hermética da Aurora Dourada, uma organização esotérica que desempenhou um papel crucial no renascimento do ocultismo no final do século XIX e início do século XX. Waite foi um escritor prolífico, tendo publicado numerosas obras sobre ocultismo, magia e esoterismo. A sua visão para o tarot era criar uma ferramenta que sintetizasse os ensinamentos esotéricos complexos num formato visual e acessível. Waite supervisionou a criação do tarot, garantindo que cada carta incorporasse conceitos esotéricos precisos e poderosos.

1.3. Pamela Colman Smith

Pamela Colman Smith


Pamela Colman Smith, frequentemente chamada "Pixie", nasceu em 1878 em Londres. Era uma artista talentosa, formada no Pratt Institute of Art em Nova Iorque. Em 1901, juntou-se à Ordem Hermética da Golden Dawn, onde conheceu Arthur Edward Waite. O seu estilo artístico distinto, caracterizado por linhas claras e cores vibrantes, trouxe uma dimensão visual única ao tarot Rider-Waite. Ao contrário dos baralhos de tarot anteriores, onde os arcanos menores eram frequentemente ilustrados apenas por padrões repetitivos, Smith criou cenas detalhadas e narrativas para cada carta, facilitando assim a sua interpretação. O seu trabalho é amplamente reconhecido por ter tornado o tarot mais acessível e intuitivo, contribuindo para a sua popularidade duradoura.

1.4. A Ordem Hermética da Golden Dawn (ou Golden Dawn)

Ordem Hermética da Golden Dawn


A Ordem Hermética da Golden Dawn é uma sociedade secreta fundada em Londres em 1888, dedicada ao estudo e prática do ocultismo, da metafísica e dos rituais mágicos. A ordem teve uma influência profunda no desenvolvimento do tarot Rider-Waite. Os ensinamentos da Golden Dawn integravam diversas tradições esotéricas, nomeadamente a Cabala, a alquimia, a astrologia e a magia cerimonial.

Arthur Edward Waite, como membro eminente da Golden Dawn, incorporou muitos conceitos esotéricos da ordem no tarot. Por exemplo, os símbolos cabalísticos, as referências astrológicas e as alusões alquímicas estão omnipresentes nas ilustrações das cartas. A Golden Dawn também influenciou a estrutura e organização das cartas, reforçando a sua utilização como ferramenta de meditação e desenvolvimento espiritual.

A colaboração entre Waite e Smith, ambos membros da Golden Dawn, permitiu criar um baralho de tarot profundamente enraizado nos ensinamentos esotéricos da ordem, ao mesmo tempo que acessível ao público em geral. O tarot Rider-Waite é assim uma ponte entre o misticismo complexo da Ordem Hermética da Golden Dawn e uma interpretação visual que permite a cada um explorar os mistérios do tarot de forma intuitiva e pessoal.

2. A publicação do tarot Rider Waite

O tarot Rider-Waite foi publicado pela primeira vez em 1909 pela editora britânica Rider & Company. Esta publicação marcou uma ruptura significativa com os baralhos de tarot tradicionais, principalmente graças à inovação na ilustração dos arcanos menores e à abordagem simbólica mais acessível das cartas.

Rider-Waite


Na sua primeira publicação, o tarot Rider-Waite recebeu reações variadas. Os ocultistas e estudiosos da época, familiarizados com os símbolos esotéricos e as tradições místicas, reconheceram imediatamente a profundidade e a riqueza do simbolismo incorporado por Arthur Edward Waite e ilustrado por Pamela Colman Smith. Estes especialistas apreciaram particularmente a forma como cada carta, mesmo entre os arcanos menores, contava uma história visual clara e significativa, facilitando assim a interpretação intuitiva.

No entanto, o baralho não teve um sucesso comercial imediato. Na época, o interesse pelo tarot era relativamente limitado a círculos esotéricos restritos, e o público geral ainda não estava amplamente exposto a estas práticas divinatórias. Apesar disso, o tarot Rider-Waite começou a ganhar reconhecimento graças às suas ilustrações inovadoras e à sua crescente acessibilidade. Os guias e livros de Arthur Edward Waite sobre o tarot, nomeadamente The Pictorial Key to the Tarot publicado em 1910, contribuíram para estabelecer este baralho como uma referência séria para o estudo do tarot. Ao contrário de muitos guias de tarot que negligenciam os Arcanos Menores, Waite dá atenção especial a cada carta dos quatro naipes (Bastões, Copas, Espadas, Pentáculos). Ele explora os aspetos simbólicos e práticos de cada carta, oferecendo interpretações detalhadas e contextos para a sua utilização.

3. A estrutura e o simbolismo do tarot Rider-Waite

A diferença mais visível, e que verá abaixo, é que Waite renumerou as cartas da Força e da Justiça em relação aos baralhos tradicionais de tarot. No tarot Rider-Waite-Smith, a Força é a carta XI e a Justiça é a carta VIII, invertendo a ordem habitual. Esta modificação vem da influência da Golden Dawn, e afeta a interpretação das cartas em alinhamento com os princípios astrológicos e cabalísticos.

3.1. Os Arcanos Maiores

Os arcanos maiores do tarot Rider-Waite são compostos por 22 cartas que representam arquétipos poderosos e universais. Estas cartas são frequentemente consideradas as mais significativas do baralho, cada uma oferecendo uma visão profunda das grandes lições e temas da vida humana. Os arcanos maiores são numerados de 0 a 21, cada carta possuindo uma imagem rica e simbólica que ajuda na sua compreensão e interpretação.

0 O Louco Um jovem caminha perto de um precipício, segurando uma rosa branca e um farrapo ao ombro. Um pequeno cão o acompanha.  Novos começos, aventura, ingenuidade, liberdade
I O Mago Um homem está diante de uma mesa com símbolos dos quatro naipes (bastão, copa, espada, pentáculo). Ele aponta uma mão para o céu e a outra para a terra Ação, manifestação, poder, vontade
II A Papisa Uma mulher sentada entre duas colunas, segurando um livro. Ela usa uma coroa e está rodeada por símbolos religiosos Sabedoria, intuição, mistério, conhecimento oculto
III A Imperatriz Uma mulher coroada sentada num trono, rodeada por natureza luxuriante Fertilidade, abundância, maternidade, natureza
IV O Imperador Um homem coroado sentado num trono decorado com cabeças de carneiro Autoridade, estrutura, estabilidade, controlo
V O Papa Um homem em vestes religiosas sentado entre duas colunas, a abençoar dois acólitos Tradição, ensino, espiritualidade, moral
VI Os Amantes Um homem e uma mulher, de pé sob um anjo, diante de uma árvore com uma serpente Amor, união, escolha, harmonia
VII O Carro Um homem conduz uma carruagem puxada por dois esfinges, um preto e um branco Vitória, vontade, controlo, determinação
VIII A Justiça Uma mulher sentada num trono, segurando uma balança e uma espada Justiça, equidade, verdade, lei
IX O Eremita Um velho com uma lanterna e um bastão, a caminhar sozinho Introspeção, sabedoria, solidão, busca espiritual
X A Roda da Fortuna Uma roda rodeada por criaturas místicas, com símbolos esotéricos Destino, mudança, ciclos, oportunidades
XI A Força Uma mulher acaricia um leão, ilustrando domínio suave Coragem, paciência, autocontrolo, força interior
XII O Enforcado Um homem pendurado por um pé, mãos atrás das costas, com expressão serena Suspensão, sacrifício, nova perspetiva, desapego
XIII A Morte Um esqueleto em armadura num cavalo, atravessando uma paisagem Transformação, fim, renovação, mudança radical
XIV A Temperança Um anjo mistura água entre duas taças, em pé à beira de um rio Equilíbrio, moderação, harmonia, cura
XV O Diabo Uma figura meio homem meio besta com duas pessoas acorrentadas aos seus pés Apego, tentação, dependência, ilusão
XVI A Torre Uma torre atingida por um raio, pessoas a cair dela Colapso, revelação, mudança súbita, caos
XVII A Estrela Uma mulher derrama água num rio e na terra sob um céu estrelado Esperança, inspiração, serenidade, renovação espiritual
XVIII A Lua Dois cães uivando para a lua, um lagostim saindo da água, duas torres ao fundo Ilusão, intuição, incerteza, subconsciente
XIX O Sol Uma criança alegre cavalga um cavalo branco sob um sol radiante Alegria, sucesso, clareza, vitalidade
XX O Julgamento Anjos soprando trombetas, figuras a erguer-se das suas sepulturas Despertar, julgamento, absolvição, renovação
XXI O Mundo Uma figura dançante rodeada por uma coroa de louros, com símbolos dos quatro evangelistas nos cantos Realização, integração, harmonia, plenitude

 

3.2. Os Arcanos Menores

3.2.1. Os Paus (elemento Fogo)

Ás de Paus Novo começo, inspiração, energia criativa, potencial
Dois de Paus Planeamento, contemplação, decisões, visão
Três de Paus Expansão, exploração, perspetiva, progresso
Quatro de Paus Celebração, harmonia, lar, sucesso
Cinco de Paus Conflito, competição, luta, tensão
Seis de Paus Vitória, reconhecimento, sucesso, avanço
Sete de Paus Defesa, perseverança, desafio, coragem
Oito de Paus Movimento rápido, progresso, comunicação, viagem
Nove de Paus Resiliência, determinação, prudência, resistência
Dez de Paus Fardo, responsabilidade, trabalho árduo, stress
Pajem de Paus Entusiasmo, exploração, mensagem, início
Cavaleiro de Paus Energia, aventura, paixão, impulsividade
Rainha de Paus Independência, confiança, criatividade, calor
Rei de Paus Liderança, visão, poder, carisma

 

3.2.2. As Copas (elemento Água)

Ás de Copas Novo começo emocional, amor, compaixão, abertura do coração
Dois de Copas Parceria, união, harmonia, ligação emocional
Três de Copas Celebração, amizade, comunidade, alegria
Quatro de Copas Descontentamento, reflexão, oportunidade perdida, tédio
Cinco de Copas Perda, arrependimento, luto, concentração no passado
Seis de Copas Nostalgia, memórias, inocência, passado
Sete de Copas Ilusões, escolhas, devaneio, confusão
Oito de Copas Abandono, busca, introspeção, procura de sentido
Nove de Copas Satisfação, felicidade, realização, desejo cumprido
Dez de Copas Harmonia, felicidade familiar, amor duradouro, contentamento
Pajem de Copas Imaginação, emoção, mensagem, criatividade
Cavaleiro de Copas Romance, charme, proposta, busca emocional
Rainha de Copas Compaixão, intuição, cuidados, sensibilidade
Rei de Copas Controle emocional, equilíbrio, sabedoria, diplomacia

 

3.2.3. As Espadas (elemento Ar)

Ás de Espadas Clareza mental, verdade, nova ideia, justiça
Dois de Espadas Indecisão, bloqueio, impasse, compromisso
Três de Espadas Dor, traição, tristeza, conflito
Quatro de Espadas Descanso, recuperação, contemplação, cura
Cinco de Espadas Conflito, derrota, traição, ganho a qualquer custo
Seis de Espadas Transição, viagem, partida, passagem para uma situação melhor
Sete de Espadas Engano, astúcia, estratégia, evasão
Oito de Espadas Restrição, impotência, armadilha, limitação mental
Nove de Espadas Ansiedade, insónia, preocupações, tormentos
Dez de Espadas Traição, colapso, fim doloroso, resolução
Pajem de Espadas Curiosidade, vigilância, mensagem, novidade intelectual
Cavaleiro de Espadas Ação rápida, determinação, impulsividade, missão
Rainha de Espadas Clareza, discernimento, independência, verdade
Rei de Espadas Autoridade intelectual, lógica, objetividade, justiça

 

3.2.4. Os Pentáculos (elemento Terra)

Ás de Pentáculos Novo começo material, oportunidade financeira, potencial, prosperidade
Dois de Pentáculos Equilíbrio, adaptação, flexibilidade, gestão de prioridades
Três de Pentáculos Colaboração, competência, realização, reconhecimento
Quatro de Pentáculos Posse, avareza, segurança, apego
Cinco de Pentáculos Escassez, dificuldade, exclusão, perda material
Seis de Pentáculos Generosidade, ajuda, partilha, equilíbrio dos recursos
Sete de Pentáculos Reflexão, paciência, avaliação, recompensa adiada
Oito de Pentáculos Trabalho árduo, aprendizagem, competência, aperfeiçoamento
Nove de Pentáculos Sucesso material, independência, conforto, luxo
Dez de Pentáculos Herança, riqueza familiar, estabilidade, segurança
Pajem de Pentáculos Novo projeto, aprendizagem, oportunidade, potencialidade material
Cavaleiro de Pentáculos Confiabilidade, trabalho árduo, perseverança, método
Rainha de Pentáculos Alimento, segurança, sentido prático, generosidade
Rei de Pentáculos Abundância, sucesso, autoridade material, domínio

 

4. Em que é que o tarot Rider-Waite é mais simples do que o tarot de Marselha?

4.1. A representação dos Arcanos

Ao contrário de muitos baralhos de tarot anteriores onde os Arcanos Menores eram representados de forma relativamente simples (por exemplo, quatro paus para o Quatro de Paus), o tarot Rider-Waite-Smith apresenta ilustrações detalhadas e narrativas para cada carta dos arcanos menores. Estas cenas visuais contam uma história ou ilustram uma situação, o que facilita muito a interpretação intuitiva das cartas, mesmo para os principiantes.

4.2. A renumeração da Justiça e da Força

Além disso, Arthur Edward Waite e Pamela Colman Smith conceberam as cartas com um simbolismo acessível mas profundo. As imagens são claras, evocativas e carregadas de símbolos facilmente interpretáveis, o que torna o tarot Rider-Waite-Smith mais compreensível para os iniciantes, oferecendo ao mesmo tempo uma riqueza de significados para os praticantes experientes.

4.3. A utilização dos números romanos

O tarot de Marselha e o de Rider-Waite-Smith usam ambos os números romanos, mas não da mesma forma. Se olhar bem para o primeiro, as progressões dos números refletem o caminho iniciático e, portanto, o crescimento, sem recorrer à subtração para alguns números.

Por exemplo, para o Imperador (o 4), o tarot de Marselha escreve "IIII", enquanto o tarot de Rider-Waite-Smith vai usar a forma clássica "IV".

Isto explica-se simplesmente porque o Rider-Waite-Smith não utiliza os números como um aspeto importante ou simbólico da interpretação das cartas.

4.4. A reformulação dos nomes

De forma mais subtil, os nomes dos Arcanos foram ligeiramente modificados de forma mais "moderna" mas também para melhor corresponder à língua inglesa.

Nesta lógica, o Louco tornou-se o Tolo, o Mágico tornou-se o Mago, a Papisa tornou-se a Grande Sacerdotisa, o Papa tornou-se o Hierofante, o Amante tornou-se os Amantes, o Arcano sem Nome tornou-se a Morte e a Casa de Deus tornou-se a Torre.

Com estes elementos, poderá então saber se o tarot que utiliza é um tarot de Marselha ou um tarot Rider-Waite-Smith.

 

Agora já sabe tudo sobre o tarot Rider-Waite-Smith e as razões pelas quais é o mais utilizado no mundo, mesmo à frente do tarot de Marselha!

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