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Yule: origens, história e celebrações do solstício
Le sabbat de Yule

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Yule: origens, história e celebrações do solstício

12 min de leitura

Yule é atualmente um dos nomes mais conhecidos da festa pagã do solstício de inverno. No entanto, a palavra abrange várias realidades históricas. O Jól das sociedades escandinavas pré-cristãs era um período de banquete e bebida ritual situado no meio do inverno. O Giuli anglo-saxónico designava uma parte da estação invernal. O Yule celebrado na data astronómica do solstício pertence, por sua vez, ao calendário dos paganismos contemporâneos.

Estas três realidades estão relacionadas, mas não se confundem. Os textos medievais não descrevem nem uma festa solar uniforme em toda a Europa germânica, nem o sabá wiccano tal como existe atualmente. Regressar às fontes permite compreender como um antigo nome de estação e de festa atravessou a cristianização e recebeu, depois, novos significados no século XX.

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O que significa o nome Yule?

O francês «Yule» vem do inglês. Pertence a uma família de palavras germânicas que inclui o inglês antigo geol ou giuli, o nórdico antigo jól e as formas escandinavas modernas jul. Em dinamarquês, norueguês e sueco, jul continua a ser o nome corrente do Natal. O finlandês joulu e o estónio jõul provêm igualmente de um antigo empréstimo às línguas germânicas.

A etimologia mais popular relaciona Yule com a palavra «roda», como se o nome designasse diretamente a rotação do ano. Esta explicação não convence os linguistas: as formas germânicas de «roda» não correspondem suficientemente a geol ou jól. A origem exata do termo continua a ser debatida. É, portanto, preferível não basear todo o seu significado numa etimologia solar incerta.

As atestações antigas mostram, acima de tudo, que a palavra designava um período invernal e uma festa. Não permitem reconstituir uma doutrina completa. Yule não era o nome de uma religião e os povos germânicos não seguiam todos o mesmo calendário.

O que Beda relata no século VIII

Uma das primeiras fontes escritas encontra-se em De temporum ratione, tratado composto em 725 pelo monge nortúmbrio Beda. No capítulo dedicado aos meses ingleses, indica que dezembro e janeiro tinham ambos um nome relacionado com Giuli. A época de Yule estendia-se assim de ambos os lados da mudança de ano, em vez de se reduzir a uma única noite.

Beda acrescenta que os antigos Ingleses começavam o ano a 25 de dezembro e davam à noite anterior o nome de Modranecht, «noite das Mães», devido a cerimónias sobre as quais não fornece qualquer pormenor. A passagem prova a existência de um vocabulário invernal e de uma celebração anterior à conversão. Não afirma que Modranecht e Yule constituíssem uma cerimónia solar, nem que os seus ritos correspondessem aos da Escandinávia.

Beda escreve como cristão sobre um passado que conhece de forma indireta. O seu testemunho continua a ser fundamental, mas as suas poucas linhas não devem receber mais informações do que aquelas que contêm. Não mencionam nenhum madeiro, abeto, azevinho nem o nascimento de um deus solar.

O Jól das fontes nórdicas

No mundo escandinavo, a palavra jól aparece na poesia e nas sagas. O poema Haraldskvæði, composto por volta do final do século IX, apresenta o rei Harald Cabelo Belo como um soberano que quer «beber Yule». A expressão recorda que a bebida coletiva constituía um aspeto importante da festa.

As descrições mais desenvolvidas provêm, contudo, de textos islandeses redigidos após a conversão ao cristianismo. A Heimskringla de Snorri Sturluson data do início do século XIII e narra acontecimentos de séculos anteriores. Conserva tradições mais antigas, organizando-as simultaneamente numa obra literária e política cristã. Não pode, portanto, ser lida como uma transcrição imediata de um rito da Era Viking.

A Saga de Hákon, o Bom evoca banquetes, cerveja consagrada, brindes e o consumo de carne sacrificial. Erguia-se uma taça a Odin pela vitória e pelo poder do rei, e depois a Njörd e Freyr por um bom ano e pela paz. Outra taça comemorava os familiares mortos. Este quadro liga a refeição, a ordem política, os deuses e a memória familiar.

O Yule ocorria no solstício de inverno?

Identificar o Jól antigo com a noite de 21 de dezembro parece natural hoje, mas as fontes não o estabelecem de forma tão simples. Os calendários escandinavos medievais eram lunissolares e não coincidiam com o nosso calendário gregoriano. O «meio do inverno» não designava automaticamente o solstício astronómico. Consoante a interpretação do calendário e a região, podia situar-se várias semanas mais tarde, por volta de meados de janeiro.

A Saga de Hákon, o Bom afirma que o rei Hákon, no século X, impôs a celebração do Yule ao mesmo tempo que a festa cristã, com uma quantidade regulamentar de cerveja. O relato pressupõe, portanto, uma diferença entre o antigo calendário festivo e o do Natal. Mesmo que a sua precisão histórica continue a ser discutida, impede afirmar que todos os escandinavos pré-cristãos celebravam sistematicamente o Jól a 21 de dezembro.

O Yule fixado no solstício é uma forma contemporânea coerente com um calendário astronómico. Simplesmente não deve ser apresentado como a data certa e universal do rito antigo.

Banquete, cerveja e oferenda

As fontes nórdicas associam claramente o Yule ao banquete. Preparar e beber uma cerveja festiva era uma obrigação social e religiosa, que subsistiu nas leis cristãs da Noruega. A refeição reunia a família, os aliados e os dependentes em torno de comida abundante, numa época em que as reservas condicionavam a sobrevivência do grupo.

O blót, oferenda sacrificial, aparece nos relatos de festas escandinavas. Podiam ser abatidos animais, cuja carne era consumida e cujo sangue era utilizado no quadro cerimonial descrito por Snorri. A célebre cena em que Hákon aceita, sob pressão, comer fígado de cavalo pretende mostrar a tensão entre um rei cristão e os seus súbditos ligados aos ritos antigos.

Seria imprudente transformar este relato num programa aplicável a todas as quintas nórdicas. A Heimskringla descreve festas aristocráticas e régias, a partir de uma memória reelaborada. A arqueologia confirma a importância do festim e do sacrifício animal na religião escandinava, mas não permite atribuir cada banquete de inverno ao Yule.

Os juramentos proferidos sobre um javali figuram na literatura heroica, nomeadamente na Hervarar saga. O javali também mantém ligações com Freyr nos relatos mitológicos. Estes elementos esclarecem o imaginário da festa, sem provarem a existência de um rito idêntico em todas as comunidades.

Odin, os mortos e a noite de inverno

Odin ostenta, na poesia escáldica, o nome Jólnir, «aquele do Yule» ou «figura do Yule». A Saga de Hákon, o Bom reserva-lhe uma taça ritual. Estes dados estabelecem uma relação entre o deus e a festa, mas não fazem do Yule um culto exclusivamente odínico.

A taça erguida em honra dos parentes mortos e o testemunho de Beda sobre a «noite das Mães» levaram alguns investigadores a examinar a dimensão ancestral do solstício de inverno. Os relatos nórdicos também situam revenantes e seres ameaçadores na época do Yule. A longa noite prestava-se à memória dos mortos e às histórias de passagens entre o mundo humano e o outro mundo.

A Caçada Selvagem está atualmente associada ao Yule em muitas obras populares. No entanto, os testemunhos europeus relativos a cortejos noturnos são tardios, variáveis e distribuídos por vários períodos do ano. A sua associação a Odin e a um rito de Yule pré-cristão resulta de uma interpretação histórica, não de uma certeza.

Como se misturou o Yule com o Natal?

A cristianização não suprimiu de imediato as festas de inverno. O vocabulário, as refeições, a cerveja e os encontros familiares mudaram de enquadramento. Na Escandinávia, a palavra jul acabou por designar o próprio Natal. A festa cristã da Natividade absorveu assim o nome de uma época festiva anterior, enquanto as autoridades eclesiásticas e régias redefiniam os gestos praticados.

Este processo não pode ser resumido à ideia de que «o Natal teria roubado o Yule». A Natividade tem a sua própria história litúrgica, oriunda do cristianismo antigo. Os costumes natalícios formaram-se posteriormente, durante a Idade Média e a época moderna, através da junção de práticas religiosas, domésticas, urbanas e rurais. Algumas podem ter prolongado hábitos mais antigos; outras surgiram num mundo já cristão.

A data de 25 de dezembro deu origem a duas grandes explicações. Uma enfatiza as festividades solares do Império Romano, incluindo o Dies Natalis Solis Invicti. A outra baseia-se num cálculo cristão que relaciona a conceção de Cristo com 25 de março, nove meses antes do seu nascimento. Os historiadores continuam a debater o peso relativo destes fatores. Apresentar as Saturnais ou o Sol Invictus como a origem demonstrada do Natal simplifica, portanto, uma questão complexa.

O tronco de Yule é um rito viking?

Nenhum texto da Era Viking descreve um enorme toro queimado durante doze noites para representar o sol renascido. O costume do tronco de Natal está bem documentado em várias regiões da Europa no final da época medieval e na época moderna. Assumiu formas locais: bênção da madeira, conservação de um tição, proteção do lar ou refeição reunida em torno do fogo.

Uma origem anterior ao cristianismo continua a ser possível, mas não está demonstrada. O nome inglês Yule log não basta para transformar o tronco num rito escandinavo antigo, uma vez que «Yule» também servia para designar o Natal. O tronco de Natal de pastelaria francês surgiu no século XIX, numa altura em que as grandes lareiras abertas desapareciam das habitações urbanas.

Numa celebração atual, acender um tronco ou uma vela pode representar a luz no coração do inverno. Este simbolismo moderno é claro e expressivo; não precisa de uma antiguidade falsa para ter significado.

Abeto, azevinho, visco e bode de Yule

As plantas perenes foram utilizadas para decorar espaços festivos em várias sociedades europeias. No entanto, não existe uma cadeia documental contínua que ligue os santuários germânicos à árvore de Natal. A árvore decorada desenvolveu-se sobretudo nas regiões de língua alemã no final da Idade Média e no início da época moderna, antes de se espalhar para outros lugares.

O visco possui associações antigas, nomeadamente na célebre passagem de Plínio, o Velho, sobre os druidas. Isso não prova a sua utilização num Yule germânico. O azevinho e a hera fazem parte das decorações de inverno europeias, mas o seu significado evoluiu conforme os lugares e as épocas.

O bode de Yule, julbock, é uma figura escandinava bem real, sob a forma de máscara, personagem e, mais tarde, decoração de palha. A sua origem precisa permanece incerta. Relacioná-lo diretamente com os bodes de Thor é uma hipótese apelativa, não um facto estabelecido. O javali, mais presente nos textos nórdicos, também não permite considerar cada presunto de Natal como a sobrevivência inconsciente de um sacrifício a Freyr.

Yule na Roda do Ano moderna

Na Wicca e em várias formas de druidismo moderno, Yule é um dos oito sabbats da Roda do Ano. É celebrado no solstício de inverno, por volta de 21 de dezembro no hemisfério Norte e por volta de 21 de junho no hemisfério Sul. Opõe-se a Litha, o solstício de verão, e situa-se entre Samhain e Imbolc.

Este calendário de oito celebrações constituiu-se na Grã-Bretanha em meados do século XX, nomeadamente nos meios associados a Gerald Gardner e Ross Nichols. Une os solstícios e os equinócios a quatro celebrações com nomes gaélicos. Não reproduz um calendário pan-europeu da Antiguidade. O nosso artigo sobre o neopaganismo explica mais amplamente a formação destas religiões modernas.

As tradições wiccanas interpretam Yule através do regresso da luz, do nascimento solar do Deus ou da relação entre o Rei Azevinho e o Rei Carvalho. Esta última narrativa baseia-se em motivos literários popularizados na época moderna; não provém de um mito antigo conservado sob esta forma. Os rituais variam consoante as linhagens e os grupos.

Yule no paganismo germânico contemporâneo

As comunidades heathen e Ásatrú também celebram Yule, mas nem todas seguem a data wiccana. Algumas escolhem o solstício, outras o Natal, meados de janeiro ou uma sequência de noites. Alguns grupos procuram reconstruir um calendário lunissolar com base nos estudos sobre a Escandinávia pré-cristã.

A refeição partilhada, a cerveja ou o hidromel, as oferendas aos deuses e a memória dos antepassados ocupam um lugar recorrente. Um blót contemporâneo pode reunir invocação, oferenda de bebida e banquete, sem reproduzir o sacrifício animal descrito nas sagas. As comunidades elaboram o seu rito a partir das fontes, da sua ética e das leis atuais.

Assim, não existe uma forma regulamentada de celebrar Yule atualmente. Usar o mesmo nome não significa aderir à mesma teologia. Uma cerimónia wiccana do solstício, um blót heathen e um Natal escandinavo pertencem a contextos distintos.

Como celebrar Yule atualmente?

Uma celebração atual beneficia de uma explicação clara do seu enquadramento. Para um rito do solstício sem uma afiliação específica, pode observar-se a hora do pôr do sol, apagar as luzes durante alguns instantes e depois acender uma vela para assinalar a viragem do ano solar. Uma refeição sazonal, uma oferenda de pão ou bebida e a evocação dos mortos da família conferem à noite uma dimensão coletiva e memorial.

Numa abordagem heathen, convém escolher as divindades e as fórmulas de acordo com a tradição seguida, sem fabricar um protocolo pretensamente viking. Numa abordagem wiccana, o círculo, as luzes e a narrativa sazonal podem retomar a liturgia da linhagem ou do coven. Uma pessoa sozinha também pode dedicar este tempo ao balanço do ano, à hospitalidade ou a uma dádiva material.

O fogo exige vigilância concreta. Uma vela deve permanecer num suporte estável, longe de ramos secos, tecidos, animais e crianças. Uma grande fogueira no exterior depende das regras locais e das condições meteorológicas. A segurança não retira nada ao alcance simbólico do gesto.

O que se pode afirmar sobre o Yule

O Yule tem, de facto, uma antiga herança germânica. O nome é atestado em inglês antigo e em nórdico antigo; as fontes escandinavas associam-no ao banquete, à cerveja, aos brindes religiosos e ao meio do inverno. A sua fusão progressiva com o Natal explica que jul ainda designe a celebração cristã em várias línguas do Norte.

No entanto, a data fixa de 21 de dezembro, o madeiro solar de doze noites, o pinheiro, a Caçada Selvagem, o bode de Thor e a narrativa do Rei Azevinho não constituem um conjunto ritual viking atestado. Estes motivos provêm de períodos e contextos diferentes. Alguns são costumes cristãos ou modernos; outros constituem interpretações contemporâneas de materiais antigos.

O Yule atual não deixa, por isso, de ser legítimo. Trata-se de uma celebração moderna que dialoga com um passado fragmentário e com os costumes invernais europeus. Reconhecê-lo como tal permite celebrar o solstício sem transformar hipóteses em certezas.

Fontes e leituras

Para os nomes dos meses anglo-saxónicos e Modranecht, consulte Beda, o Venerável, The Reckoning of Time, tradução de Faith Wallis, Liverpool University Press, 1999, capítulo 15.

Para o calendário escandinavo pré-cristão, consulte Andreas Nordberg, Jul, disting och förkyrklig tideräkning, Uppsala, 2006. Sobre os deuses e os termos nórdicos antigos, consulte Rudolf Simek, A Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

Para a história dos costumes natalícios britânicos e a crítica das filiações demasiado diretas, consulte Ronald Hutton, The Stations of the Sun, Oxford University Press, 1996. Sobre a criação do calendário festivo pagão contemporâneo, consulte o seu artigo « Modern Pagan Festivals: A Study in the Nature of Tradition », 2008.

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