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O O channeling é um termo que ganhou alguma popularidade recentemente, sobretudo nos Estados Unidos, desde a década de 1970, embora seja herdado de práticas muito mais antigas. Pode ser apresentado como uma variante da mediunidade, com a diferença de que o O channeling permite estabelecer uma ligação com espíritos tutelares, em vez de com almas específicas. É também importante saber que esta prática, dada a sua modernidade e funcionamento, é relativamente criticada, inclusive por alguns círculos esotéricos. Explico tudo isto neste artigo.
1. Concretamente, o que é o channeling? channeling?
O channeling, ou canalização ou transmissão em português, é um processo através do qual um indivíduo, chamado channel (ou channel), pode receber e transmitir informações provenientes de fontes não físicas ou espirituais. Estas fontes podem incluir espíritos, entidades angélicas, guias espirituais, antepassados ou até inteligências indefinidas. O channel atua como intermediário, permitindo que essas entidades comuniquem através dele, frequentemente num estado de transe ou de meditação profunda. Esta prática pode manifestar-se através de palavras, escrita automática, desenhos ou até movimentos corporais.

O channeling difere da mediunidade tradicional na medida em que se centra frequentemente mais na receção de mensagens de natureza espiritual, filosófica ou universal do que na comunicação com os espíritos dos falecidos por razões pessoais ou familiares.
2. A breve história do channeling
As raízes do As origens do channeling remontam, na verdade, a práticas espirituais muito mais antigas. Na Antiguidade, figuras como os oráculos gregos, os xamãs dos povos indígenas e os profetas bíblicos eram considerados intermediários entre o mundo humano e o divino. Por exemplo, o Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, comunicava mensagens de Apolo, o deus do Sol e da profecia.
No século XIX, o movimento espiritualista reintroduziu o conceito no mundo ocidental, com personalidades como as irmãs Fox, que afirmavam comunicar com os espíritos através de pancadas e batidas (a dúvida persiste, uma vez que uma das irmãs confessou mais tarde que se tratava de uma fraude).
O A canalização moderna ganhou verdadeiramente força nas décadas de 1960 e 1970, em paralelo com o surgimento do movimento da Nova Era. Figuras como Jane Roberts, que canalizou a entidade Seth, e J.Z. Knight, conhecida pelas suas comunicações com a entidade Ramtha, contribuíram para dar a conhecer esta prática a um público mais vasto.
3. A estrutura da canalização
3.1. O guia
O guia é frequentemente uma entidade espiritual que auxilia o canal ao longo de todo o processo. Os guias podem ser seres espirituais avançados, antepassados, anjos ou entidades provenientes de outras dimensões. O seu papel é facilitar a comunicação entre o canal e as outras entidades, oferecendo proteção, orientação e esclarecimento.
Existem diferentes tipos de guias, cada um com uma especialidade própria. Por exemplo, alguns guias podem ser professores espirituais, oferecendo lições e ensinamentos profundos, enquanto outros podem ser curadores, ajudando o canal a atravessar dificuldades emocionais ou físicas. Os guias também podem mudar ao longo da vida do canal, consoante as suas necessidades evolutivas.
3.2. O canal
O O canal, ou mediador, é a pessoa que serve de intermediário entre o mundo físico e as dimensões espirituais. O canal deve preparar-se mental, emocional e espiritualmente para esta tarefa, desenvolvendo as suas capacidades intuitivas e assegurando-se de que se mantém ancorado e protegido.
Para ser eficaz, um O canal deve possuir determinadas qualidades, como abertura de espírito, sensibilidade, clareza mental e capacidade de distinguir as mensagens autênticas das interferências. A prática regular de meditação, a purificação energética e o desenvolvimento pessoal são essenciais para manter uma ligação clara e estável com as entidades.
3.3. As entidades
As entidades canalizadas podem variar muito em natureza e intenção. Podem ser seres de luz, como anjos, mestres ascensionados, antepassados ou até inteligências extraterrestres. Cada entidade transmite o seu próprio tipo de mensagem ou energia, consoante a sua origem e finalidade.
As entidades canalizadas procuram geralmente oferecer mensagens de orientação, sabedoria, cura ou revelação. No entanto, é crucial para o canal para discernir as intenções das entidades, a fim de evitar influências negativas ou enganadoras. A proteção psíquica e o discernimento são, portanto, competências essenciais para o canal.
4. As vias de acesso à canalização
O canalização pode manifestar-se sob diferentes formas, cada uma com as suas próprias características e métodos específicos.
4.1. A canalização consciente
O A canalização consciente ocorre quando o canal permanece plenamente desperto e consciente durante a receção das mensagens. Nesse estado, o canal ouve ou sente as mensagens das entidades espirituais, mantendo o controlo total do seu corpo e da sua mente. As mensagens podem ser percecionadas sob a forma de voz interior, pensamentos intuitivos ou visões. Este tipo de canalização exige uma grande capacidade de concentração e abertura para escutar interiormente. Permite também que o canal interaja ativamente com as entidades, fazendo perguntas e recebendo respostas em tempo real.
4.2. A canalização em transe
O A canalização em transe, por sua vez, implica um estado alterado de consciência em que o canal entra num transe profundo. Durante este transe, o canal pode perder a consciência do seu ambiente imediato e permitir que a entidade espiritual assuma parcial ou totalmente o controlo do seu corpo e da sua voz. Este estado de transe pode ser induzido através de técnicas de relaxamento profundo, meditação ou ritmos repetitivos, como o tambor. As mensagens transmitidas durante uma canalização em transe é frequentemente mais fluida e detalhada, uma vez que a entidade exerce uma influência direta sobre o canal. No entanto, este método comporta riscos, pois exige uma confiança total na entidade e uma preparação adequada para evitar intrusões indesejadas.
4.3. A canalização automática
O O canalização automática manifesta-se principalmente através da escrita, do desenho ou de outras formas de criações artísticas espontâneas. Nesta forma de canalização, o canalizador entra num estado semiconsciente em que as suas mãos se movem independentemente da sua vontade consciente para produzir mensagens, imagens ou símbolos. A escrita automática é um dos métodos mais comuns, através do qual o canalizador pode receber textos longos e coerentes sem ter plena consciência disso. Esta técnica permite captar informações detalhadas sem a interferência do espírito crítico do canalizador. No entanto, requer uma grande abertura e entrega mental para permitir que a energia circule livremente.
5. Como praticar a canalização?
5.1. A preparação física e mental
Um ambiente propício à canalização deve ser calma, segura e livre de distrações. A escolha do espaço é essencial: deve ser um local onde o canalizador se sinta confortável e protegido. Muitos canalizadores preferem utilizar uma divisão dedicada, decorada com objetos espirituais como cristais, velas, incenso e imagens simbólicas que ajudam a elevar a energia do espaço. A temperatura da divisão deve ser confortável e recomenda-se garantir que existe ventilação suficiente. A utilização de música suave ou de sons naturais também pode ajudar a criar um ambiente relaxante e a favorecer a concentração.
A preparação mental e emocional é igualmente importante. O canalizador deve estar num estado de espírito calmo e centrado antes de iniciar a sessão. A meditação é frequentemente utilizada para alcançar esse estado de calma interior. Ajuda a tranquilizar a mente, a reduzir o stress e a abrir os canais de perceção. Também podem ser integrados exercícios de respiração profunda e de relaxamento progressivo para descontrair o corpo e a mente. Em termos emocionais, o canalizador deve sentir-se equilibrado e preparado para receber mensagens sem preconceitos nem expectativas. Isto inclui a criação de proteções psíquicas para se proteger contra energias negativas, como a visualização de uma luz protetora a envolver o corpo.
5.2. O decorrer de uma sessão de canalização
Uma sessão típica de canalização começa com uma invocação ou uma oração para chamar entidades benevolentes e pedir a sua orientação. O canalizador entra depois num estado de relaxamento profundo, muitas vezes através da meditação ou de um transe ligeiro. Uma vez nesse estado, o canalizador abre a mente e as perceções para receber as mensagens. As mensagens podem surgir sob a forma de palavras, imagens, sons ou sensações físicas. Alguns canalizadores preferem gravar a sessão ou ter um escriba que registe as mensagens para uma análise posterior.
O papel do channel é agir como um recetor claro e aberto das mensagens das entidades espirituais. Deve manter-se neutro, sem deixar que os seus próprios pensamentos ou emoções interfiram com as mensagens recebidas. O channel deve também demonstrar discernimento, distinguindo entre as mensagens provenientes de fontes fiáveis e aquelas que podem ser fruto do seu subconsciente ou de influências externas. As entidades canalizadas, por sua vez, podem variar em natureza e intenção. Podem ser guias espirituais, anjos, antepassados ou seres de outras dimensões. O seu papel é fornecer orientação, informações ou cura, consoante as necessidades do channel ou das pessoas presentes.
5.3. Interpretar as mensagens
A compreensão das mensagens recebidas passa por uma interpretação atenta e ponderada. O channel deve dedicar tempo a analisar as mensagens, tendo em conta o contexto em que foram recebidas e a sua pertinência pessoal ou coletiva. É frequentemente útil manter um diário de channeling onde as mensagens podem ser registadas e revistas mais tarde, para discernir o seu significado profundo. Algumas mensagens podem ser claras e diretas, enquanto outras podem exigir uma reflexão mais aprofundada para compreender o seu significado.
O discernimento é crucial na interpretação das mensagens. Nem todas as mensagens recebidas são necessariamente verdadeiras ou úteis. O channel deve ser capaz de distinguir as mensagens autênticas das possíveis distorções, quer se trate de interferências psíquicas ou de influências externas não benevolentes. Esta competência desenvolve-se com a experiência e a prática, bem como com uma sólida base espiritual e emocional. O channel pode também consultar outros praticantes ou mentores espirituais para obter perspetivas adicionais e confirmar a validade das mensagens.
6. A palavra final
Como já perceberá, o channeling permite ligar-se a entidades muito mais abrangentes, frequentemente benevolentes, para o ajudar a conhecer-se melhor. Não se trata, propriamente, de mediunidade ou clarividência, mas de uma ligação a entidades globais que permitem compreender. É claro que o channeling também tem os seus detratores, nomeadamente devido à «modernidade» da prática, ao efeito da expressão do outro lado do Atlântico e à ausência de provas empíricas.






























