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Cléiophane
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Grimório mineral

Cléiophane

4 min de leitura

A cleiofana é uma esfalerite clara, pobre em ferro, cujos cristais podem ser incolores, amarelo-pálidos ou esverdeados. Não constitui uma espécie distinta: o seu nome designa uma variedade em que o clareamento da cor permite uma melhor passagem da luz. A sua linguagem simbólica é a de uma clareza obtida por subtracção.

Surgido no século XIX, o nome não transporta uma tradição mágica antiga comprovada. A sua leitura contemporânea baseia-se na relação entre o ferro e a cor na esfalerite. O Sol revela, Mercúrio distingue, o Ar clarifica e a Terra mantém o raciocínio na matéria real.

Um nome de etimologia incerta

O nome cleiofana foi proposto antes de 1851 por Thomas Nuttall e publicado por Thomas H. Henry, que lhe atribuiu a origem. A nota do Mindat indica uma etimologia incerta, talvez derivada de palavras gregas relacionadas com a fama e a aparência.

É preferível conservar esta reserva a fabricar uma tradução sedutora. A clareza começa aqui pela aceitação de uma informação incompleta.

Uma esfalerite pobre em ferro

A cleiofana é uma variedade clara de esfalerite, sulfureto de zinco ZnS, com pouco ferro. A ficha da esfalerite mostra até que ponto a presença de ferro pode influenciar a cor e outras características físicas.

O Handbook of Mineralogy descreve um material com dureza de 3,5 a 4, dotado de clivagem perfeita e de um brilho que pode tornar-se adamantino. Na sua forma clara, a luz revela melhor os planos e os reflexos internos.

Nuttall, Henry e Franklin

A primeira localidade registada é Franklin, no estado de Nova Jérsia, um distrito mineiro célebre pela riqueza das suas espécies. A cleiofana foi reconhecida aí como uma expressão clara da esfalerite, e não como um material sem relação com ela.

A sua história nomenclatural ensina a observar a variação sem multiplicar as entidades. Uma diferença visível pode resultar de uma pequena quantidade em falta, de um elemento vestigial ou de uma alteração da composição.

A clareza nem sempre exige acrescentar uma resposta. Também surge quando se remove uma influência menor que ensombrece o conjunto: uma frase a mais, uma prioridade parasita, uma fonte mal escolhida.

Sol, Mercúrio, Ar e Terra

O Sol rege a visibilidade e a luz que atravessa a pedra. Mercúrio recebe o discernimento, a triagem e a mensagem despojada de um desvio desnecessário. O Ar clarifica; a Terra verifica se essa clareza assenta em factos.

O domingo é adequado para trazer algo à luz e a quarta-feira para o trabalho editorial. Uma folha branca, um vidro transparente e um fio amarelo acompanham a pedra sem a sujeitar a uma exposição intensa.

Clareza, triagem e sinal

A cléiophana acompanha uma releitura, uma escolha entre várias opções ou a simplificação de um projeto. Convida a procurar o pequeno fator que perturba a mensagem, em vez de reconstruir todo o conjunto.

É adequada a situações em que a sobrecarga se faz passar por riqueza. Retirar um elemento não empobrece necessariamente a obra: pode tornar a sua intenção mais visível e a sua utilização mais fácil.

O rito do ruído retirado

Escreva a sua intenção numa frase, numa folha branca. Sublinhе as três palavras sem as quais perderia o sentido. Depois, risque uma palavra, tarefa ou influência que não ajude nenhuma das três. Coloque a cléiophana ao lado do texto.

Diga: «Conservo o sinal e retiro o que o encobre. A clareza mostra-me o próximo gesto.» Reescreva a frase uma última vez e, em seguida, realize esse gesto.

Correspondências e referências

Referência Correspondência
Natureza Variedade clara e pobre em ferro de esfalerite
Astros Sol e Mercúrio
Elementos Ar e Terra
Dias Domingo e quarta-feira
Cores rituais Branco, amarelo-pálido, verde-claro
Áreas Clareza, triagem, releitura, discernimento
Objetos associados Folha branca, vidro, fio amarelo
Gesto Remover uma influência que perturba o sinal
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