A Crisocola une duas imagens que parecem distantes: a soldadura do ouro e a frescura de um azul-esverdeado. O seu nome antigo vem do trabalho dos metais; a sua receção mágica moderna associa-a à paz, à sabedoria, ao amor e a uma palavra capaz de reparar sem impor.
É adequada para situações em que é necessário restabelecer um vínculo, devolver um medo à sua justa medida ou dizer uma verdade com tato. A sua suavidade mineral exige também uma prática delicada: nada de banhos, nada de sal, mas água colocada ao seu lado como testemunha.
Para situar esta pedra entre minerais relacionados, compare-a com Malaquita, Azurite e Azurite-Malaquite.
Uma matéria azul-esverdeada do cobre
A Crisocola forma-se nas zonas de oxidação dos jazigos de cobre, juntamente com a Malaquite, a Azurite e o Quartzo. Apresenta-se sob a forma de crostas, massas ou revestimentos azul-esverdeados. A sua composição pode variar, e as peças polidas são frequentemente sustentadas por Quartzo ou Calcedónia.
A sua dureza varia consoante esta mistura natural. A ficha do Handbook of Mineralogy apresenta esta matéria complexa sem a reduzir a uma tonalidade uniforme. Cada fragmento merece, portanto, ser observado: o azul, o verde, a matriz escura ou as zonas de Quartzo alteram a sua presença sem apagar a sua identidade.
A cola do ouro segundo Teofrasto
O nome reúne o grego chrysos, «ouro», e kolla, «cola». Em Sobre as pedras, Teofrasto emprega o termo para designar uma matéria utilizada no trabalho do ouro. A palavra designava um produto de soldadura ou um ingrediente que ajudava as partes metálicas a unirem-se.
A Crisocola atual não deve ser confundida, sem uma análise, com todas as substâncias antigas que tinham este nome. Ainda assim, a etimologia permanece uma imagem ritual notável: reunir o que foi separado, restaurar uma continuidade e tornar o vínculo suficientemente sólido para se manter.
Música, voz e sonhos favoráveis
Em The Magic and Science of Jewels and Stones, Isidore Kozminsky coloca-a sob o signo do Touro. Atribui-lhe um encanto musical e sonhos favoráveis a músicos, cantores e pessoas que trabalham com flores.
Scott Cunningham desenvolve, em 1988, outro ramo da sua receção. Na sua enciclopédia, associa-a a Vénus e à Água, atribuindo-lhe depois paz, sabedoria e amor. Recomenda também discrição e o regresso à calma perante medos sem fundamento.
Uma continuidade através do gesto. O nome antigo fala de unir o ouro; os autores do século XX falam de acordo, música e paz. Não se trata do mesmo rito transmitido sem interrupção, mas de um forte parentesco simbólico: a Crisocola ajuda a compor e a ligar.
Vénus, Água e Touro
Vénus governa a harmonia, a afeição, a beleza e a arte de estabelecer um acordo. A Água recebe a emoção e devolve-lhe a mobilidade. O Touro traz duração, voz e sentido da matéria. Estes três pontos de referência fazem da Crisocola uma pedra de apaziguamento encarnado: a calma deve transformar-se numa palavra, num canto ou num gesto de reparação.
A sexta-feira é adequada para trabalhos de acordo e relacionamento. Para uma criação musical ou floral, a pedra pode ser colocada perto das ferramentas, sem tentar fazê-la produzir a obra no seu lugar.
Paz, sabedoria e reparação
A Crisocola acompanha uma conversa de reconciliação. Antes de falar, escreva aquilo que reconhece, o que pede e o limite que não ultrapassará. Segure a pedra durante esta preparação e, depois, deixe-a sobre a mesa como testemunha do acordo procurado.
Também é adequada para a discrição. Quando lhe confiarem um segredo, coloque-o junto de um envelope vazio e consagre-o ao silêncio justo: não divulgar aquilo que não lhe pertence, sem contudo encobrir violência ou perigo.
Para um medo que anda às voltas, nomeie o facto observável e, depois, aquilo que a imaginação lhe acrescenta. A sabedoria venusiana consiste aqui em repor as proporções na ordem certa.
O ritual da palavra ligada
Encha um copo com água e coloque-o ao lado da crisocola, sem mergulhar a pedra. Acrescente uma rosa ou algumas pétalas numa segunda taça. Num papel, escreva duas frases: a verdade que deve ser dita e a forma respeitosa que assumirá.
Leia-as em voz alta e, em seguida, passe o papel entre o copo e a pedra. Diga: «Que a palavra permaneça verdadeira, que o vínculo permaneça livre.» Após o ritual, verta a água junto à base de uma planta e guarde o papel até à conversa. Este trabalho procura o entendimento; nunca pretende constranger o desejo ou a decisão de outra pessoa.
Correspondências e referências
| Referência | Correspondência |
|---|---|
| Natureza | Matéria silicatada hidratada rica em cobre, de composição variável |
| Cores | Azul, verde e azul-esverdeado |
| Planeta | Vénus em Scott Cunningham |
| Signo | Touro em Isidore Kozminsky |
| Elemento | Água |
| Domínios | Paz, sabedoria, amor, discrição, música e reconciliação |
| Imagem ritual | A soldadura que une sem apagar |
| Gesto ritual | Dizer uma verdade de uma forma que respeite a liberdade |










































