O alabastro retém a luz em vez de a refletir. Branco, cor de mel ou com veios, deixa passar uma claridade suave que serviu para vasos de perfume, oferendas, escultura e monumentos funerários.
O seu nome abrange, no entanto, duas matérias: o alabastro gipsífero, macio e fino, e o «alabastro egípcio», que é uma Calcite maciça ou um travertino. Distingui-los permite associar cada objeto à história certa sem perder o fio condutor comum da luz contida.
Para situar esta pedra entre minerais relacionados, compare-a com Gipse, Selenite e Rosa dos Areais.
Duas pedras com o mesmo nome
O alabastro europeu é geralmente uma variedade fina de Gesso, sulfato de cálcio hidratado, suficientemente macia para ser riscada com a unha. O chamado alabastro egípcio é um carbonato de cálcio, mais próximo da Calcite e do travertino. Ambos podem ser translúcidos e fáceis de esculpir, daí a manutenção do mesmo nome na história da arte.
Esta diferença determina a conservação e a interpretação de um objeto. Um vaso antigo de «alabastro egípcio» não prova que o Gesso branco vendido atualmente tenha tido exatamente os mesmos usos rituais.
Vasos, perfumes e oferendas do Egito
O Metropolitan Museum of Art conserva um frasco de travertino, ou alabastro egípcio, cuja forma retoma a de um vaso de libação e cuja decoração evoca o lótus, a juventude e a renovação. Outro pote cosmético real testemunha o uso desta pedra para óleos perfumados e unguentos.
Estes objetos ligam o alabastro ao recipiente, à oferenda e à conservação de uma substância perfumada. A matéria não está só: é o conjunto formado pelo vaso, o seu conteúdo, o seu proprietário e o gesto realizado que transmite o significado.
O vaso de alabastro e a unção
Nos Evangelhos, uma mulher traz um vaso de alabastro contendo um perfume dispendioso e derrama-o como gesto de honra. O relato, legível nomeadamente no Evangelho segundo Marcos, associou duradouramente o alabastro ocidental à unção, à generosidade e à dádiva sem reservas.
O objeto bíblico designa прежде de mais um recipiente, não um cristal portador de uma virtude autónoma. Um uso atual pode retomar a lógica do recipiente e da oferenda, sem afirmar que toda e qualquer peça de alabastro seria consagrada por esse relato.
Lua, Vénus, Água e Terra
A Lua corresponde à brancura, ao recetáculo, à memória e à luz difusa. Vénus rege o perfume, a unção, a hospitalidade e a dádiva. A Água representa o líquido oferecido; a Terra, o vaso que lhe dá forma. A segunda-feira é adequada à memória; a sexta-feira, ao perfume e à gratidão.
Uma lâmpada suave, um pano branco, um pequeno frasco fechado ou flores frescas bastam para criar o altar. Não verta óleo nem perfume diretamente sobre a pedra: o gesto pode ser realizado num recipiente próximo.
Devoção, memória e hospitalidade
O alabastro acompanha as orações, as comemorações, o acolhimento de um convidado e os gestos de gratidão. É adequado aos espaços onde se deseja conservar uma luz suave: altar familiar, mesa de cabeceira, local de leitura ou canto consagrado aos falecidos.
A sua função de recipiente inspira também um trabalho sobre aquilo que escolhemos preservar. Uma carta, um nome, uma fotografia ou uma intenção podem ser colocados junto dele. O objetivo não é reter o que deve partir, mas dar uma forma digna à memória.
O rito do perfume oferecido
Numa sexta-feira, coloque o alabastro junto de um pequeno frasco fechado. Nomeie a pessoa, a divindade ou o valor que deseja honrar. Numa folha, escreva o que recebeu e o gesto através do qual o transmitirá.
Abra o frasco durante alguns instantes, sem tocar na pedra, e diga: «O que foi recebido torna-se oferenda; o que foi guardado torna-se memória.» Feche-o e, em seguida, cumpra a dádiva inscrita: mensagem, refeição, flor, ajuda ou tempo dedicado.
Correspondências e referências
| Referência | Correspondência |
|---|---|
| Natureza | Gesso fino; ou calcite-travertino para o alabastro egípcio |
| Objetos antigos | Vasos de libação, frascos de perfume e recipientes para unguentos |
| Imagem religiosa | Vaso de alabastro e unção nos Evangelhos |
| Planetas | Lua e Vénus |
| Elementos | Água e Terra |
| Dias | Segunda-feira e sexta-feira |
| Áreas | Devoção, oferenda, memória, perfume e acolhimento |
| Gesto ritual | Nomear o que foi recebido e transmiti-lo |










































