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Esta obra propõe uma exploração aprofundada do Shintō, focando-se nas suas práticas, nas suas representações e no seu lugar singular na cultura japonesa. Esclarece um sistema de pensamento frequentemente mal compreendido, que não se baseia nem num fundador identificado, nem em textos sagrados, nem numa conceção monoteísta. No Japão, poucas pessoas se definem como «shintoístas», embora muitos rituais ainda estruturam a vida social, como o miyamairi que celebra o nascimento.
Uma tradição moldada pela relação com a natureza e os kami
Fundado na relação direta com a natureza e na ligação com os kami, o Shintō foi-se construindo ao longo dos séculos sem dogma fixo. Dá um lugar central aos locais, aos ciclos naturais e aos gestos rituais transmitidos pelo uso. Esta tradição viva manifesta-se mais por práticas do que por doutrinas, o que explica a sua permanência discreta na sociedade japonesa, independentemente das filiações religiosas declaradas.
Uma identidade cultural no coração da história japonesa
A obra mostra como o Shintō se desenvolveu em diálogo constante com o budismo, o taoísmo e o confucionismo, mantendo ao mesmo tempo uma identidade própria. Sem responder aos critérios clássicos de uma religião estruturada, ocupa contudo um lugar essencial na memória coletiva, na mitologia e na história do Japão. As suas ligações antigas com a família imperial, mantidas apesar da separação institucional entre o Estado e o religioso, testemunham o seu papel duradouro na construção cultural e simbólica do país.



























































































































