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1. A magia natural |
Conhecemos realmente a magia? O termo é amplamente usado para designar atos, trabalhos ou mesmo efeitos. Mas o que é realmente? Acho que para a compreender bem (e dominá-la tanto quanto possível), é preciso conhecer a sua substância. Proponho-vos então neste artigo explorar o que é intrinsecamente a magia, que foi teorizada sob a forma de quatro magias ditas fundamentais. Assim, compreenderão todo o poder deste termo e do que ele esconde. Explicações.
1. A magia natural
A magia natural, também chamada "naturgia", engloba o conjunto das realizações que os quatro reinos da natureza podem oferecer quando se sabe como explorá-los. Esta magia recorre aos mundos mineral, vegetal, animal e por vezes até humano. A naturgia evoluiu assim ao longo do tempo, dando origem a disciplinas como a farmacologia.
No entanto, e vocês sabem, o ser humano tende a tentar copiar e industrializar, por vezes de forma incompleta, soluções em vez de aprender a usar o que a natureza oferece de forma perfeita. Esta abordagem limitou gradualmente a nossa capacidade de descobrir e explorar plenamente o que a natureza pode produzir, maravilhas por vezes consideradas milagrosas mas fundamentalmente prodigiosas. Atenção, não digo que não houve descobertas graças às plantas, mas é preciso admitir que a importância dada ao ato natural é relegada para segundo plano. Outra disciplina bem conhecida é uma perfeita ilustração da magia natural: a alquimia.
Pode considerar-se que a magia natural é a antecessora destas práticas mais atuais:
- Magia elemental: utilização direta dos elementos (terra, água, fogo, ar) para produzir efeitos mágicos.
- Magia verde: práticas mágicas baseadas na natureza e na Terra.
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A fitoterapia: utilização de plantas para efeitos curativos e mágicos.
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A litoterapia: utilização de pedras e cristais para influenciar a energia e a saúde.
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A aromaterapia: utilização de óleos essenciais extraídos das plantas para o bem-estar e a cura.
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A medicina holística: abordagens de cura que integram o conhecimento das propriedades naturais das substâncias.
- A alquimia: transformação de substâncias naturais para alcançar objetivos espirituais e materiais.
2. A magia evocatória
A magia evocatória é uma prática antiga que consiste em convocar entidades espirituais ou psíquicas com o objetivo de obter a sua ajuda (ou submissão) para realizar diversos desejos. Estas entidades podem variar em natureza e alinhamento, desde forças luminosas a entidades obscuras, até mesmo demoníacas. De facto, embora alguns praticantes afirmem invocar forças divinas ou angélicas, é raro que a magia pura alcance níveis elevados de luz.
As entidades convocadas pela magia evocatória podem ser demónios, espíritos ou mesmo almas de falecidos. O espiritismo, por exemplo, é uma forma de magia evocatória chamada necromancia, que consiste em comunicar com os mortos. No entanto, ao contrário da magia evocatória tradicional, o espiritismo muitas vezes carece de proteções ocultas para o médium e os participantes, expondo-os assim aos possíveis perigos e enganos das entidades invocadas.
No século XIX em Inglaterra, uma fascinação por vampiros também levou à sua invocação por alguns ocultistas. Por outro lado, outra forma de magia evocatória concentra-se na evocação dos elementais, entidades ligadas aos quatro elementos básicos (Terra, Água, Fogo, Ar) e por vezes à quintessência, o Éter.
Pode considerar-se que a magia evocatória é a antecessora destas práticas mais atuais:
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O espiritismo: comunicação com os espíritos dos falecidos através de sessões mediúnicas.
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A demonologia: estudo e evocação de demónios e espíritos obscuros.
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A teurgia: invocação de entidades divinas ou angélicas para obter revelações ou ajudas espirituais.
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A goetia: magia negra que envolve a convocação de demónios para fins específicos.
3. A magia analógica
A magia analógica é frequentemente considerada o motor de todo ato mágico. Sem o princípio da analogia, a magia não poderia funcionar. Na verdade, este princípio poderia fornecer uma definição científica das disciplinas ocultas, especialmente com os avanços da física quântica. Graças à analogia, a magia funciona ligando simbolicamente a prática do mago ao fenómeno que ele procura produzir. O fracasso na magia é geralmente devido a uma falha na criação desta ligação analógica indispensável.
A magia analógica baseia-se na utilização de símbolos ou representações para agir à distância sobre um alvo. Por exemplo, o mago Milarepa, na tradição indiana, desenhava um círculo na areia representando uma cidade e aí vertia água. Esta ação provocou historicamente uma inundação torrencial na cidade designada. Da mesma forma, o encantamento utiliza uma dagyde, uma boneca de cera que representa uma pessoa, que se espetava com agulhas para causar dores ou mal-estar a essa pessoa.
Embora frequentemente praticada por amadores, a magia analógica não deixa de ser eficaz. Desempenha um papel central em muitas tradições, como o vudu, onde é usada juntamente com a magia evocativa e natural. A magia analógica constitui também a base da radionica, uma ciência que utiliza formas geométricas, simbólicas ou radiações para gerar energia programável. A radiestesia, que utiliza pêndulos e varas de radiestesista, é uma das disciplinas associadas mais conhecidas.
Pode considerar-se que a magia analógica é a antecessora destas práticas mais atuais:
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A radionica: utilização de formas geométricas e símbolos para gerar energias programáveis.
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A radiestesia: utilização de pêndulos e varas para detectar energias e influências subtis.
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A magia simpática: utilização de representações (como bonecos vudu) para influenciar pessoas ou situações à distância.
4. A magia psíquica
A magia psíquica, também conhecida como psicurgia, é considerada por muitos como a forma de magia mais autêntica e nobre. Ao contrário de outras formas de magia que dependem de substâncias naturais, entidades ou objetos mágicos, a psicurgia baseia-se inteiramente nas capacidades intrínsecas do mago. Esta forma de magia não requer nenhuma ferramenta externa, exceto a própria vontade e concentração do praticante.
A psicurgia é usada para realizar atos mágicos poderosos sem depender de suportes exteriores. Quer seja para influenciar a matéria, curar, proteger ou manifestar fenómenos, a psicurgia baseia-se na capacidade do mago de canalizar e dirigir as suas próprias energias mentais e espirituais.
A magia fluídica está frequentemente associada à psicurgia. Embora não seja uma disciplina distinta, desempenha um papel complementar importante. A magia fluídica consiste em concentrar uma energia psíquica num objeto, ser vivo ou matéria inanimada, usando a vontade e a concentração do mago. O fluido é assim uma substância etérea representada pelos gestos, palavras ou mesmo pela visualização. É praticada nomeadamente pelos magnetizadores.
Pode considerar-se que a magia psíquica é a antepassada destas práticas mais atuais:
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Telecinese: capacidade de mover objetos apenas com a força da mente.
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Cura energética: técnicas de cura que utilizam a energia mental e espiritual do praticante (como o Reiki).
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Visualização criativa: utilização da imaginação e da concentração para manifestar desejos e objetivos.
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Hipnose e auto-hipnose: utilização de técnicas mentais para influenciar o comportamento e a perceção.
5. Tabela de correspondências
Para melhor compreender a herança e o lugar destas magias fundamentais, que são afinal pouco mencionadas como tais, aqui está uma tabela que deverá esclarecer.
| Magia natural | Magia elementar, magia verde, alquimia, aromaterapia, litoterapia, fitoterapia |
| Magia evocatória | Xamanismo, invocações, goetia, teurgia, espiritismo |
| Magia analógica | Magia sigilar, astrologia, radiestesia, magia simpática, radionica |
| Magia psíquica | Telecinese, cura energética, visualização criativa, hipnose, projeção astral, clarividência, telepatia |
Os grandes tipos de magia, como a magia branca, negra ou vermelha, baseiam-se nas 4 magias fundamentais, por isso não aparecem nesta tabela.
Espero que este pequeno vislumbre lhe permita compreender melhor toda a essência da magia!
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