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As magias fundamentais

As magias fundamentais

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1. A magia natural
2. A magia evocatória
3. A magia analógica
4. A magia psíquica
5. Tabela de correspondências


Conhecemos realmente a magia? O termo é amplamente usado para designar atos, trabalhos ou mesmo efeitos. Mas o que é realmente? Acho que para a compreender bem (e dominá-la tanto quanto possível), é preciso conhecer a sua substância. Proponho-vos então neste artigo explorar o que é intrinsecamente a magia, que foi teorizada sob a forma de quatro magias ditas fundamentais. Assim, compreenderão todo o poder deste termo e do que ele esconde. Explicações.

1. A magia natural

A magia natural, também chamada "naturgia", engloba o conjunto das realizações que os quatro reinos da natureza podem oferecer quando se sabe como explorá-los. Esta magia recorre aos mundos mineral, vegetal, animal e por vezes até humano. A naturgia evoluiu assim ao longo do tempo, dando origem a disciplinas como a farmacologia.

No entanto, e vocês sabem, o ser humano tende a tentar copiar e industrializar, por vezes de forma incompleta, soluções em vez de aprender a usar o que a natureza oferece de forma perfeita. Esta abordagem limitou gradualmente a nossa capacidade de descobrir e explorar plenamente o que a natureza pode produzir, maravilhas por vezes consideradas milagrosas mas fundamentalmente prodigiosas. Atenção, não digo que não houve descobertas graças às plantas, mas é preciso admitir que a importância dada ao ato natural é relegada para segundo plano. Outra disciplina bem conhecida é uma perfeita ilustração da magia natural: a alquimia.

Pode considerar-se que a magia natural é a antecessora destas práticas mais atuais:

  • Magia elemental: utilização direta dos elementos (terra, água, fogo, ar) para produzir efeitos mágicos.
  • Magia verde: práticas mágicas baseadas na natureza e na Terra.
  • A fitoterapia: utilização de plantas para efeitos curativos e mágicos.

  • A litoterapia: utilização de pedras e cristais para influenciar a energia e a saúde.

  • A aromaterapia: utilização de óleos essenciais extraídos das plantas para o bem-estar e a cura.

  • A medicina holística: abordagens de cura que integram o conhecimento das propriedades naturais das substâncias.

  • A alquimia: transformação de substâncias naturais para alcançar objetivos espirituais e materiais.

2. A magia evocatória

A magia evocatória é uma prática antiga que consiste em convocar entidades espirituais ou psíquicas com o objetivo de obter a sua ajuda (ou submissão) para realizar diversos desejos. Estas entidades podem variar em natureza e alinhamento, desde forças luminosas a entidades obscuras, até mesmo demoníacas. De facto, embora alguns praticantes afirmem invocar forças divinas ou angélicas, é raro que a magia pura alcance níveis elevados de luz.

As entidades convocadas pela magia evocatória podem ser demónios, espíritos ou mesmo almas de falecidos. O espiritismo, por exemplo, é uma forma de magia evocatória chamada necromancia, que consiste em comunicar com os mortos. No entanto, ao contrário da magia evocatória tradicional, o espiritismo muitas vezes carece de proteções ocultas para o médium e os participantes, expondo-os assim aos possíveis perigos e enganos das entidades invocadas.

No século XIX em Inglaterra, uma fascinação por vampiros também levou à sua invocação por alguns ocultistas. Por outro lado, outra forma de magia evocatória concentra-se na evocação dos elementais, entidades ligadas aos quatro elementos básicos (Terra, Água, Fogo, Ar) e por vezes à quintessência, o Éter.

Pode considerar-se que a magia evocatória é a antecessora destas práticas mais atuais:  

  • O espiritismo: comunicação com os espíritos dos falecidos através de sessões mediúnicas.

  • A demonologia: estudo e evocação de demónios e espíritos obscuros.

  • A teurgia: invocação de entidades divinas ou angélicas para obter revelações ou ajudas espirituais.

  • A goetia: magia negra que envolve a convocação de demónios para fins específicos. 

3. A magia analógica

A magia analógica é frequentemente considerada o motor de todo ato mágico. Sem o princípio da analogia, a magia não poderia funcionar. Na verdade, este princípio poderia fornecer uma definição científica das disciplinas ocultas, especialmente com os avanços da física quântica. Graças à analogia, a magia funciona ligando simbolicamente a prática do mago ao fenómeno que ele procura produzir. O fracasso na magia é geralmente devido a uma falha na criação desta ligação analógica indispensável.

A magia analógica baseia-se na utilização de símbolos ou representações para agir à distância sobre um alvo. Por exemplo, o mago Milarepa, na tradição indiana, desenhava um círculo na areia representando uma cidade e aí vertia água. Esta ação provocou historicamente uma inundação torrencial na cidade designada. Da mesma forma, o encantamento utiliza uma dagyde, uma boneca de cera que representa uma pessoa, que se espetava com agulhas para causar dores ou mal-estar a essa pessoa.

Embora frequentemente praticada por amadores, a magia analógica não deixa de ser eficaz. Desempenha um papel central em muitas tradições, como o vudu, onde é usada juntamente com a magia evocativa e natural. A magia analógica constitui também a base da radionica, uma ciência que utiliza formas geométricas, simbólicas ou radiações para gerar energia programável. A radiestesia, que utiliza pêndulos e varas de radiestesista, é uma das disciplinas associadas mais conhecidas.

Pode considerar-se que a magia analógica é a antecessora destas práticas mais atuais: 

  • A radionica: utilização de formas geométricas e símbolos para gerar energias programáveis.

  • A radiestesia: utilização de pêndulos e varas para detectar energias e influências subtis.

  • A magia simpática: utilização de representações (como bonecos vudu) para influenciar pessoas ou situações à distância.

4. A magia psíquica

A magia psíquica, também conhecida como psicurgia, é considerada por muitos como a forma de magia mais autêntica e nobre. Ao contrário de outras formas de magia que dependem de substâncias naturais, entidades ou objetos mágicos, a psicurgia baseia-se inteiramente nas capacidades intrínsecas do mago. Esta forma de magia não requer nenhuma ferramenta externa, exceto a própria vontade e concentração do praticante.

A psicurgia é usada para realizar atos mágicos poderosos sem depender de suportes exteriores. Quer seja para influenciar a matéria, curar, proteger ou manifestar fenómenos, a psicurgia baseia-se na capacidade do mago de canalizar e dirigir as suas próprias energias mentais e espirituais.

A magia fluídica está frequentemente associada à psicurgia. Embora não seja uma disciplina distinta, desempenha um papel complementar importante. A magia fluídica consiste em concentrar uma energia psíquica num objeto, ser vivo ou matéria inanimada, usando a vontade e a concentração do mago. O fluido é assim uma substância etérea representada pelos gestos, palavras ou mesmo pela visualização. É praticada nomeadamente pelos magnetizadores.

Pode considerar-se que a magia psíquica é a antepassada destas práticas mais atuais: 

  • Telecinese: capacidade de mover objetos apenas com a força da mente.

  • Cura energética: técnicas de cura que utilizam a energia mental e espiritual do praticante (como o Reiki).

  • Visualização criativa: utilização da imaginação e da concentração para manifestar desejos e objetivos.

  • Hipnose e auto-hipnose: utilização de técnicas mentais para influenciar o comportamento e a perceção.

5. Tabela de correspondências

Para melhor compreender a herança e o lugar destas magias fundamentais, que são afinal pouco mencionadas como tais, aqui está uma tabela que deverá esclarecer.

Magia natural Magia elementar, magia verde, alquimia, aromaterapia, litoterapia, fitoterapia
Magia evocatória Xamanismo, invocações, goetia, teurgia, espiritismo
Magia analógica Magia sigilar, astrologia, radiestesia, magia simpática, radionica
Magia psíquica Telecinese, cura energética, visualização criativa, hipnose, projeção astral, clarividência, telepatia


Os grandes tipos de magia, como a magia branca, negra ou vermelha, baseiam-se nas 4 magias fundamentais, por isso não aparecem nesta tabela.

Espero que este pequeno vislumbre lhe permita compreender melhor toda a essência da magia!

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Olivier d’Aeternum
Par Olivier d’Aeternum

Apaixonado pelas tradições esotéricas e pela história do oculto desde as primeiras civilizações até ao século XVIII, partilho alguns artigos sobre estes temas. Sou também co-criador da loja esotérica online Aeternum.

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