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1. A origem do Sabbat das Bruxas |
O Sabbat das Bruxas, este termo evoca imagens de encontros noturnos secretos, rituais ocultos e figuras misteriosas a dançar sob a lua. Também chamado de Baile das Bruxas, suscita tanto medo como fascínio. Contudo, quero esclarecer que este artigo deve ser lido com alguma distância crítica, pois as informações que existem hoje foram potencialmente criadas para justificar a caça às bruxas. Vamos então mergulhar juntos nesta celebração lendária.
1. A origem do Sabbat das Bruxas
As origens do Sabbat das Bruxas remontam às crenças medievais na Europa, uma época em que a magia e a bruxaria eram frequentemente vistas através do prisma da religião e da superstição. O termo "sabbat" deriva do hebraico shabbath, que significa "descanso", mas o seu uso no contexto da bruxaria tem uma conotação muito mais sombria. Estes sabbats eram descritos, nos textos da época, como encontros de pessoas acusadas de bruxaria que renegavam o cristianismo e prestavam juramento ao diabo.
A primeira menção notável do sabbat vem dos escritos da Inquisição, onde testemunhos de bruxas afirmavam participar nestes encontros. Estes relatos foram amplamente usados para justificar as perseguições durante as caças às bruxas, especialmente na Europa entre os séculos XV e XVII.
2. As ferramentas do sabbat
Os instrumentos usados durante os sabbats e os símbolos associados a estes encontros fazem claramente referência à bruxaria:
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A vassoura: a imagem das bruxas a voar em vassouras é uma das mais emblemáticas. A vassoura, um objeto do quotidiano, supostamente era usada para aplicar unguentos mágicos que permitiam às bruxas "voar" até ao sabbat.
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Os caldeirões: os caldeirões eram usados para preparar poções e decocções mágicas. Este símbolo de transformação é central na mitologia das bruxas, representando a capacidade de transformar substâncias naturais em encantamentos.
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Os familiares: frequentemente, as bruxas eram acompanhadas por familiares, espíritos ou demónios que tomavam a forma de animais (gatos, cães, rãs ou corvos). Estes familiares eram auxiliares na prática da magia e também serviam como companheiros protetores.
3. O desenrolar do sabbat
Os poucos escritos mencionam cenas de intensa atividade ritual, onde as normas da sociedade cristã medieval não só eram invertidas como ostensivamente desrespeitadas. Os relatos destes encontros noturnos estão saturados de símbolos de rebelião contra a ordem religiosa e de comunhão com forças obscuras.
Estes encontros incluíam vários elementos rituais chave:
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Renúncias de fé: um dos atos mais blasfemos relatados durante os sabbats era a renúncia ao cristianismo. Os participantes diziam prestar juramento de fidelidade ao diabo, frequentemente dando-lhe um beijo, por vezes representado como dado no ânus do diabo, um ato de desafio máximo contra as normas cristãs.
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Pactos com o diabo: os recém-chegados eram frequentemente descritos como assinando um pacto com o diabo, por vezes escrito com o seu próprio sangue. Este pacto era um contrato onde o feiticeiro ou a bruxa prometia a sua alma em troca de poderes sobrenaturais.
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Bruxaria e maldições: os sabbats eram também ocasiões para preparar feitiços e maldições contra inimigos, praticar adivinhações e outras formas de magia que a Igreja condenava como heréticas.
4. A pintura de Goya
Francisco Goya, um dos pintores mais renomados do século XVIII, explorou o tema do Sabbat das Bruxas em várias das suas obras, nomeadamente na sua famosa pintura O Sabbat das Bruxas (também conhecida como El Aquelarre ou O Grande Bode). Esta obra faz parte da série de pinturas negras que Goya realizou no final da sua vida, pintadas diretamente nas paredes da sua casa, a Quinta del Sordo, em Madrid.

Goya retrata um encontro noturno de figuras sombrias, dominado por uma imponente figura de bode, que representa o diabo. As bruxas, principalmente mulheres de várias idades, prostram-se ou apresentam crianças em sacrifício a esta figura central. A cena é iluminada de forma dramática, realçando as expressões de medo e adoração nos rostos dos participantes. A atmosfera é sombria e opressiva, evocando uma sensação de terror e mistério.
A pintura está repleta de simbolismo. O bode, tradicionalmente associado ao diabo na cultura cristã, é aqui uma manifestação da escuridão e do mal. As bruxas, ao oferecerem crianças, parecem perpetuar ritos de fertilidade ou sacrifício, temas recorrentes nas lendas em torno dos sabbats. Goya critica aqui não só as superstições rurais da sua época, mas também a manipulação do medo pela Igreja e pelo Estado.
Aqui está, portanto, a explicação do Sabbat das Bruxas, que foi uma arma de propaganda, mas que hoje é reutilizada para a organização de alguns sabbats, como uma resposta à opressão.
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