Como talvez saiba, por trás da Aeternum está uma pequena empresa sediada na Bretanha (no sul do Finistère, para ser preciso). E é bem conhecido que este território vive ao ritmo das lendas, mitos e práticas mágicas mais ou menos conhecidas (Brocéliande, Merlin, a Fada Viviane, os Alinhamentos e muitos outros). Assim, para dar destaque ao nosso belo território, publicaremos regularmente lendas pouco conhecidas da história bretona.
Esta semana, vamos falar sobre a célebre Pointe du Raz, e mesmo logo a seguir, pois a nossa lenda decorre no farol de Tévennec, que está instalado em frente ao local e é objeto de uma estranha maldição...

Vamos recuar um pouco no tempo. O farol de Tévennec, construído em 1875 nesta pequena ilha rochosa, está situado num dos locais mais perigosos e turbulentos do mar da Iroise, ao largo da ponta do Raz. A construção do farol tinha como objetivo garantir a segurança da navegação nesta zona perigosa, onde os recifes e as correntes violentas ameaçavam os barcos que tentavam atravessar estas águas. No entanto, desde o início, o farol de Tévennec esteve rodeado de uma reputação sinistra.
Assim que o farol foi habitado pelo seu primeiro guarda, começou a ocorrer uma série de eventos trágicos e inexplicáveis. O homem, encarregado de vigiar o farol isolado no meio do mar, relatou ter ouvido vozes misteriosas durante a noite, sussurros incompreensíveis que pareciam vir das próprias ondas. Essas vozes pronunciavam em bretão a palavra Kerskennd, que se poderia traduzir por "desce".
Este primeiro guarda, Jean-Pierre Guézennec, permaneceu no farol apenas alguns meses antes de pedir transferência, incapaz de suportar a solidão e as vozes que pareciam assombrá-lo. Os guardas que o sucederam também foram atingidos por esta estranha maldição. Vários deles enlouqueceram, e alguns foram encontrados mortos de forma inexplicável. Em pouco mais de uma década, cerca de vinte guardas passaram pelo farol, todos afetados por episódios de terror e perturbações mentais.

Os testemunhos dos guardas tornavam-se cada vez mais preocupantes. Falavam de uma presença invisível que assombrava o local, de ruídos estranhos durante a noite, de portas que batiam sozinhas e de janelas que se abriam abruptamente. Alguns afirmavam até ter visto sombras a mover-se na torre, mesmo estando sozinhos no exterior.
Mas de onde viriam estes eventos? O farol de Tévennec terá sido construído sobre um antigo sítio de sepulturas marinhas. As almas dos afogados, não tendo encontrado descanso, assombrariam os arredores (como a Baía dos Mortos, que fica perto daqui). Diz-se mesmo que o Ankou vagueia na sua barca para recolher os marinheiros mortos, mas sobretudo que a ilha onde está construído o farol é uma porta para o mundo dos mortos.

Perante estes eventos perturbadores, as autoridades decidiram em 1910 retirar definitivamente toda a presença humana do farol de Tévennec. O farol foi então automatizado, tornando-se um dos primeiros faróis em França a funcionar sem guarda. Desde então, ninguém mais viveu neste local reputado como amaldiçoado, e o farol continua a vigiar silenciosamente os marinheiros que atravessam as águas da Iroise.
Apesar da automatização, as lendas em torno do farol de Tévennec persistem. Os pescadores e navegadores da região relatam por vezes ter ouvido sussurros quando os seus barcos passam perto da ilha. Diz-se mesmo que as almas atormentadas que assombravam os guardas nunca abandonaram o local...




























































































































