Como talvez saiba, por trás da Aeternum está uma pequena empresa sediada na Bretanha (mais precisamente no sul do Finistère). E é bem conhecido que este território vive ao ritmo das lendas, mitos e práticas mágicas mais ou menos conhecidas (Brocéliande, Merlin, a Fada Viviane, os Alinhamentos e muitos outros). Assim, para dar destaque ao nosso belo território, publicaremos regularmente lendas pouco conhecidas da história bretã.
Esta semana vamos falar de uma lenda pouco conhecida que se passa em Brocéliande e que fala de uma senhora que até desencorajou o próprio diabo...
A sete quilómetros a nordeste de Guer, encontra-se o velho castelo de La Loyère, situado na comuna de Loutehel, na orla da floresta de Brocéliande. Antigamente, este imponente castelo, rodeado por lagos e protegido por fossos e uma ponte levadiça, foi o refúgio de senhores temidos pelos seus vizinhos. Os seus atos eram numerosos, nomeadamente o rapto de mulheres e jovens raparigas das aldeias vizinhas, que, uma vez levadas para o castelo, nunca mais reapareciam.
A última descendente desta linhagem amaldiçoada foi uma marquesa cruel e egoísta. Conhecida por atormentar as suas criadas, preferia deitar as suas colheitas nos lagos em vez de as oferecer aos pobres. À sua morte, o próprio diabo teria vindo buscá-la, mas, ultrapassado pela sua alma má, rejeitou-a na Terra sem cobrar o que lhe era devido. Foi então que o castelo ficou assombrado por esta criatura chamada pela primeira vez a besta de La Loyère, que tornou o local inabitável.

Cada noite, ela semeava o terror galopando pelos quartos, levando os que dormiam para os lagos antes de os trazer de volta gelados para as suas camas. Quando o castelo foi abandonado, a sua habitante atacava os aldeões, vagueando pelos caminhos e por vezes entrando nas casas ao anoitecer. Embora os habitantes conseguissem muitas vezes expulsá-la, ela vingava-se maltratando as crianças.

Com a renovação do castelo, a besta abandonou o local em direção ao coração de Brocéliande, tornando-se mais selvagem, aparecendo apenas ao anoitecer. Ela rondava os cruzamentos, desorientando os rebanhos e atacando viajantes imprudentes. Na maioria das vezes, só se via o seu nariz... ou melhor, um focinho, um bico ou uma boca, e por vezes aparecia na forma de uma bela égua, tentando os viajantes cansados a montá-la. Mas quem sucumbia a essa tentação era imediatamente levado para o ponto de água mais próximo, e era ainda melhor se houvesse lama. Desde então, e pelos raros testemunhos, ela foi renomeada como a Bela Jeannette. Um nome bonito para uma criatura que faria os korrigans parecerem anjinhos!




























































































































