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1. As origens dos Nephilims |
Os Nephilims são seres bastante enigmáticos mencionados em vários textos religiosos e mitológicos. Principalmente conhecidos a partir da Bíblia hebraica, os Nephilim são frequentemente descritos como gigantes ou seres de estatura extraordinária, dotados de poderes sobrenaturais. A sua natureza exata e origem permanecem sujeitas a interpretação, mas continuam a fascinar até hoje.
1. As origens dos Nephilims
O termo "Nephilim" provém do hebraico נְפִילִים (Nefilim), que é frequentemente traduzido como "aqueles que caíram" ou "os caídos". A palavra deriva da raiz hebraica נָפַל (nafal), que significa "cair". Esta etimologia sugere uma origem celestial para estes seres, indicando que poderão ser anjos caídos ou entidades que caíram de um estado superior. As traduções e interpretações variam, mas a ideia central permanece a de criaturas que sofreram algum tipo de declínio ou queda.
A menção mais famosa dos Nephilim encontra-se no livro do Génesis (6:1-4), onde são descritos como os filhos dos "filhos de Deus" e das "filhas dos homens". Outra referência aparece no livro dos Números (13:33), onde são mencionados pelos espiões enviados por Moisés para explorar a terra de Canaã, descrevendo os Nephilim como gigantes.
O Livro de Enoque, um texto apócrifo não incluído no cânone bíblico judaico ou cristão, oferece uma descrição mais detalhada dos Nephilim. Segundo este texto, os Nephilim são descendentes dos anjos caídos, chamados de "Vigilantes", que desobedeceram a Deus ao se unirem com mulheres humanas. O Livro dos Jubileus e outros escritos apócrifos também fornecem informações complementares sobre a sua natureza e atos.
Figuras semelhantes aos Nephilim aparecem em várias mitologias do mundo. Por exemplo, os gigantes e titãs da mitologia grega partilham características comuns com os Nephilim, sendo frequentemente seres de grande estatura e força prodigiosa, resultantes da união entre deuses e mortais. Da mesma forma, na mitologia mesopotâmica, os Anunnaki são por vezes comparados aos Nephilim devido ao seu estatuto divino e às suas interações com os humanos.
2. Os descendentes dos demónios?
Os Nephilim são descritos em vários textos religiosos e apócrifos como descendentes de anjos e mortais. Esta origem híbrida é um dos aspetos mais intrigantes da sua lenda. Segundo o Livro do Génesis (6:1-4), os "filhos de Deus" tomaram por esposas as "filhas dos homens" e geraram os Nephilim. O termo "filhos de Deus" é frequentemente interpretado como designando seres angélicos ou celestiais, o que implica uma união entre entidades divinas e humanos, mas a sua união com mortais sugere que foram caídos e se tornaram demónios.
O Livro de Enoque, um texto apócrifo particularmente detalhado sobre este assunto, oferece uma visão ainda mais clara desta união. Segundo este texto, um grupo de anjos chamados "Vigilantes" desobedeceram a Deus ao descerem à Terra e tomarem mulheres humanas por esposas. Desta união nasceram os Nephilim, descritos como gigantes com poderes extraordinários. Os Vigilantes também ensinaram aos humanos vários conhecimentos proibidos, contribuindo assim para a corrupção da humanidade.
Os Nephilim, como descendentes destas uniões proibidas, são frequentemente associados à violência e à depravação. São descritos como seres violentos e tirânicos, usando a sua força e poderes para dominar os humanos e semear o caos. A sua existência é frequentemente vista como uma ameaça à ordem divina e à própria humanidade, o que justifica, em muitos relatos, a sua aniquilação pelo Dilúvio.
3. A aparência dos Nephilims
Os Nephilim, nas diversas tradições onde aparecem, são descritos como seres de estatura imponente e aparência frequentemente temível. A sua aparência física é um dos aspetos mais marcantes destas criaturas. Frequentemente retratados como gigantes, são muito maiores do que os humanos comuns, atingindo alturas prodigiosas que inspiram tanto medo como fascínio. Esta estatura colossal está geralmente associada a uma força física extraordinária, permitindo-lhes realizar feitos que os humanos nunca poderiam alcançar.

Além do seu tamanho impressionante, os Nephilim são frequentemente descritos com características físicas poderosas e imponentes. Possuem musculatura desenvolvida e força sobre-humana, permitindo-lhes triunfar em batalhas épicas e dominar as paisagens que habitam. Algumas descrições vão mais longe, acrescentando traços sobrenaturais como olhos brilhantes ou uma aura aterradora, sublinhando a sua natureza semi-divina ou angélica. A sua aparência não é apenas intimidante; é um testemunho vivo da sua origem celestial e da sua queda.
4. Presságios do Dilúvio?
O Livro dos Gigantes é um apócrifo judaico pouco conhecido que expande os relatos dos livros de Enoque e dos Jubileus, concentrando-se especificamente na história dos Nephilim antes do Dilúvio. Este texto desenvolve de forma detalhada os eventos em torno destes seres híbridos, o seu destino e as suas interações com anjos e humanos.
Entre os Nephilim mencionados, encontram-se Mahway, filho do anjo Barakel, bem como Ohya e Hahya, filhos de Semiaza. Estes gigantes foram protagonistas de sonhos alegóricos que anunciavam a destruição iminente do mundo. Num desses sonhos, Mahway viu uma tábua ser imersa nas águas, e depois sair com apenas três nomes inscritos, os de Noé e dos seus filhos. Este sonho simbolizava a sobrevivência destes últimos após o Dilúvio. Outro sonho mostrava uma árvore arrancada, exceto por três raízes ainda ancoradas no solo, simbolizando novamente a preservação de Noé e da sua família.
Os três gigantes partilharam as suas visões com os outros Nephilim, mas estes permaneceram cépticos e incrédulos. No entanto, estes sonhos proféticos multiplicaram-se, e outros Nephilim também foram atingidos por visões apocalípticas. Aterrorizados por estes presságios, os Nephilim enviaram Mahway para buscar a ajuda de Enoque para interpretar os seus sonhos. Mahway "voou" pelo mundo para encontrar Enoque, que aceitou interceder em seu favor junto de Deus.
Enoque respondeu enviando-lhes uma tábua confirmando a sua morte próxima devido aos seus pecados, mas oferecendo-lhes uma oportunidade de arrependimento. Apesar deste aviso, os Nephilim permaneceram cépticos e decidiram não confiar em Deus, preferindo ignorar a oportunidade de se arrependerem.
Por outro lado, logo após a menção dos Nephilim nas Sagradas Escrituras, diz-se:
« O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração se dirigiam continuamente para o mal. O Senhor arrependeu-se de ter feito o homem na terra, e entristeceu-se no seu coração. O Senhor disse: "Exterminarei da face da terra o homem que criei, desde o homem até aos animais, aos répteis e às aves do céu; porque me arrependo de os ter feito." » (Génesis 6:5-7).
Perante esta corrupção generalizada, Deus decidiu purificar a Terra com um dilúvio. Este cataclismo engoliu toda a vida, incluindo os Nephilim, exceto Noé, a sua família e os animais que ele levou na arca, conforme as instruções divinas (Génesis 6:11-22). Esta decisão divina sublinha a extensão da depravação humana da época e a necessidade de uma intervenção radical para restabelecer a ordem na Terra.
5. O que aconteceu aos Nephilims?
Parece que Deus pôs fim a esta situação isolando os demónios que se uniram a mulheres humanas. Judas 6 declara:
« Quanto aos anjos que não guardaram a sua posição de autoridade, mas abandonaram a sua própria habitação, Deus os guardou acorrentados para sempre nas trevas, para o juízo do grande dia. »

É evidente que nem todos os demónios estão "acorrentados" hoje, pelo que este trecho parece referir-se a um grupo específico de demónios que cometeram pecados particularmente graves após a sua queda inicial. É provável que estes demónios sejam aqueles que se uniram às mulheres humanas, e que agora estão "acorrentados eternamente" para impedir que outros demónios cometam atos semelhantes.
Assim termina o retrato destas entidades misteriosas. O mistério permanece completo, o que suscitou todo o interesse e curiosidade em torno delas.
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