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Descobrir a linguagem dos pássaros

Descobrir a linguagem dos pássaros

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1. As raízes da linguagem dos pássaros

2. Princípios e funcionamento da linguagem dos pássaros
3. O alfabeto dos pássaros
4. O poder percebido das palavras e dos sons
5. Sim, você pratica a linguagem dos pássaros!


Na história da bruxaria, os meios de comunicação têm necessariamente um papel muito particular. As artes mágicas e ocultas são por natureza secretas, não para manter um certo mistério, mas sobretudo para proteger a essência dessas práticas. Os nossos antepassados elaboraram então vários tipos de linguagens como o Tebano para transmitir esses saberes mágicos apenas àqueles que podem decifrá-los. Hoje, vamos interessar-nos por outra dessas linguagens: a dos pássaros, símbolos acima de tudo da liberdade sem limites.

1. As raízes da linguagem dos pássaros

1.1. Uma linguagem associada à alquimia

A linguagem dos pássaros vem-nos a priori de uma arte específica: as tradições alquímicas e herméticas da Antiguidade e da Idade Média. Os alquimistas, procurando transmutar os metais básicos em ouro e descobrir o elixir da vida, utilizavam frequentemente uma linguagem codificada para proteger os seus conhecimentos dos profanos e das autoridades religiosas. Esta linguagem secreta permitia transmitir conceitos esotéricos e fórmulas alquímicas sem revelar diretamente os seus significados. 

linguagem dos pássaros


Nos textos herméticos, atribuídos ao lendário Hermes Trismegisto, a linguagem dos pássaros também está presente. Estes escritos, que combinam filosofia, teologia e ciência, utilizam símbolos e jogos de palavras para expressar verdades profundas sobre a natureza do universo e da humanidade. A linguagem dos pássaros, com os seus múltiplos níveis de significado, era perfeitamente adequada a estas obras crípticas.

Esta linguagem ganhou alguma popularidade pelo seu uso por Nicolas Flamel, Paracelso, depois por Dante Alighieri, autor da Divina Comédia e François Rabelais em Gargantua e Pantagruel.

1.2. O símbolo dos pássaros

Existe também toda a simbologia dos pássaros: são vistos como mensageiros divinos, graças à sua capacidade de voar alto no céu, aproximando assim o mundo terrestre do domínio celestial. Os pássaros simbolizam também a liberdade e a elevação espiritual, representando a libertação das restrições terrenas e a aspiração a alcançar estados de consciência superiores. O seu comportamento migratório evoca viagens, transições e ciclos naturais, recordando os movimentos sazonais e as mudanças necessárias à evolução pessoal e espiritual.

2. Princípios e funcionamento da linguagem dos pássaros

2.1. Jogos de palavras, homónimos e associações fonéticas

A linguagem dos pássaros baseia-se essencialmente na utilização criativa e erudita das palavras e dos sons. Na base deste método estão os jogos de palavras, os homónimos e as associações fonéticas que permitem descobrir significados ocultos ou múltiplos. Esta linguagem utiliza as propriedades sonoras das palavras para criar ligações entre conceitos aparentemente sem relação.

Os jogos de palavras são uma das principais ferramentas da língua dos pássaros. Por exemplo, uma palavra pode ser decomposta em vários segmentos, cada um com um significado distinto, mas que, juntos, formam um todo coerente e rico em sentido. Os homónimos também desempenham um papel crucial: duas palavras que se pronunciam da mesma forma mas têm significados diferentes podem ser usadas para evocar ideias ou imagens complementares. Além disso, as associações fonéticas permitem ligar conceitos pelos seus sons semelhantes, criando assim conexões inesperadas e profundas.

Para complicar ainda mais a decifração, cada palavra ou expressão pode ter vários níveis de significado, desde o literal ao alegórico, passando pelo místico. O simbolismo permite aos utilizadores desta linguagem transmitir ideias complexas e esotéricas de forma velada, acessível apenas a quem possui a chave da sua interpretação.

E para ainda mais dificuldade, a língua dos pássaros mistura também as línguas.

2.2. Um exemplo concreto?

Sei que pode ser difícil de compreender, por isso partindo de um exemplo: a decomposição da palavra "alquimia".

Se decompor esta palavra, obtém-se "al" e "quimia". "Al" pode ser interpretado como uma referência ao artigo árabe "al", usado em muitos termos alquímicos, e "quimia" como uma referência à ciência da transformação das substâncias. Assim, a palavra "alquimia" pode ser vista como "a ciência da transformação", um significado oculto por trás da sua forma aparente.

Outro exemplo é a palavra "espírito", que pode ser ouvida como "é preso" ou "ex-preso". Esta decomposição fonética pode transmitir mensagens ou alertas de captura ou libertação.

Finalmente, terminemos com uma decomposição um pouco mais complexa, mas que vos permitirá captar toda a essência desta linguagem, a saber Pássaros:

OU Representa o verbo "ouvir" (eu ouço), que significa escutar ou ouvir
S Símbolo do celestial, evocando os céus e o espiritual
ÁGUAS Representa a água, que também está associada a "O" (feminino celestial manifestado) ou "Alto" (o Espírito ou os Princípios celestiais em si)


Assim, na Língua dos Pássaros, a palavra "pássaros" pode ser interpretada da seguinte forma: é a língua que permite ouvir o alto, ou seja, escutar e ouvir as mensagens celestiais, quer estejam manifestadas ou não. Usando o verbo "ouvir" no presente (eu ouço), obtém-se a raiz da palavra "alegria", sublinhando a ideia de receber mensagens divinas e espirituais que trazem alegria.

2.3. O segredo do vitriolo na alquimia

O lema hermético "VITRIOL" é um acrónimo usado pelos alquimistas e hermetistas para encapsular um princípio fundamental da sua prática. Cada letra de "VITRIOL" representa uma palavra na frase latina "Visita Interiora Terrae, Rectificando Invenies Occultum Lapidem", que se traduz por "Visita o interior da Terra, ao retificar encontrarás a pedra oculta".

Visita Visita
Interiora Interior
Terrae da Terra
Rectificando ao retificar (ou purificar)
Invenies encontrarás
Occultum oculta
Lapidem pedra


3. O alfabeto dos pássaros

Ao contrário das línguas convencionais, a linguagem dos pássaros não possui um alfabeto formal. Não se baseia num sistema de escrita fixo, mas sim em sons e interpretações subjetivas. Isso torna a língua altamente flexível e adaptável, mas também profundamente críptica e inescrutável para aqueles que não são iniciados.

A linguagem dos pássaros baseia-se na fonética, nos jogos de palavras e nas associações auditivas. Os sons das palavras, em vez das suas formas escritas, carregam o verdadeiro significado. Isso significa que a entoação, a pronúncia e até o contexto sonoro desempenham papéis essenciais na comunicação e interpretação.

A chave para dominar a linguagem dos pássaros reside no conhecimento dos sentidos ocultos e dos duplos sentidos das palavras. Isso requer uma compreensão profunda dos símbolos, mitos e tradições esotéricas que sustentam essa linguagem. Os iniciados devem aprender a ouvir para além das palavras aparentes para descobrir as verdades veladas.

4. O poder percebido das palavras e dos sons

No contexto da feitiçaria, as palavras e os sons são considerados como possuindo um poder intrínseco. Esse poder baseia-se na ideia de que as vibrações sonoras podem afetar a realidade física e espiritual. 

Cada som emitido cria uma vibração que se propaga pelo ar e pode afetar objetos, seres vivos e até estruturas energéticas invisíveis como a aura ou os campos espirituais. Os feiticeiros usam essa propriedade dos sons para criar encantamentos e cânticos rituais que visam harmonizar ou perturbar esses campos energéticos, produzindo assim mudanças desejadas no mundo físico ou espiritual.

5. Sim, você pratica a linguagem dos pássaros!

Descobrir a linguagem dos pássaros


Podemos atribuir os famosos jogos de palavras dos comerciantes ou dos salões de cabeleireiro de hoje à linguagem dos pássaros. Sim, o que hoje é percebido como humor ou um traço de espírito, na verdade vem de uma língua cifrada criada para transmitir conhecimentos que ainda hoje são bem secretos...

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Olivier d’Aeternum
Par Olivier d’Aeternum

Apaixonado pelas tradições esotéricas e pela história do oculto desde as primeiras civilizações até ao século XVIII, partilho alguns artigos sobre estes temas. Sou também co-criador da loja esotérica online Aeternum.

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